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Propina no Ministério da Agricultura do Paraná era conhecida como ‘ajuda de custo’

RIO - As propinas pagas aos fiscais agropecuários e agentes de inspeção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) eram conhecidas pelos participantes do esquema como “ajudas de custo”, pagas regularmente, segundo as investigações da Polícia Federal que desencadearam a “Operação Carne Fraca” nesta sexta-feira.

Apontado pela PF como líder da organização criminosa, o ex-superintendente do Mapa, Daniel Gonçalves Filho, tinha relações estreitas com dois execuivos das maiores empresas do setor de carnes do Brasil: o gerente de Relações Institucionais do Grupo BRF, Roney Nogueira dos Santos, e o funcionário da Seara, do grupo JBS, Flavio Cassou, que estão entre os presos nesta sexta-feira.

Segundo a PF, Daniel Gonçalves contava ainda com sua esposa e filhos no esquema. “Também foi possível verificar que a esposa e filhos de Daniel sempre prestaram-lhe auxílio em suas atividades criminosas, das mais diversas formas, como se verá”, afirma o texto da decisão da Justiça que autorizou .

O superintendente, informa a Polícia, é fiscal agropecuário e atuou no cargo de 25/07/2007 a 19/02/2014, e de 19/06/2015 a 11/04/2016. Ele foi exonerado, mas retornou às suas atividades no Mapa por força de liminar judicial, de acordo com a PF. “Foi substituído na função de Superintendente por Gil Bueno de Magalhães, também integrante da quadrilha”, diz a Polícia Federal.

Além da família de Daniel Gonçalves, a organização criminosa no Paraná incluía os fiscais Maria do Rocio Nascimento, Carlos Cesar, Luiz Carlos Zanon Júnior, Eraldo Cavalcanti Sobrinho, Renato Manon, Tarcício de Almeida de Freitas, Sergio Antônio de Bassi Pianaro, Josenei Manoel Pinto — e ainda Cassou e Roney, da BRF e da JBS, respectivamente.

A Análise dos dados bancários e fiscais de Daniel e seus familiares confirmaram a existência de uma sub-organização criminosa formada por seu núcleo (esposa e filhos), comandada por ele fora do Mapa. Levando-se em conta apenas as informações oficialmente fornecidas pela família em suas declarações de imposto de renda, é possível concluir pela prática também do crime de lavagem de dinheiro”.

Entre os bens estão vários imóveis e terrenos no Paraná, além de uma BMW 320i, um Ford Fusion e um Subaru Forester, afirma a PF.

“É estarrecedor perceber que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná, um dos órgãos mais importantes para garantir a qualidade dos alimentos consumidos diariamente por milhões de pessoas não apenas neste Estado, como também em outras partes do Brasil, e fora das fronteiras nacionais em alguns casos de exportação, foi tomado de assalto - em ambos os sentidos da palavra - por um grupo de indivíduos que traem reiteramente a obrigação de efetivamente servir à coletividade. O exame dos indícios que emergem das centenas de horas de ligações telefônicas captadas ao longo de mais de um ano de incessante investigação, dos relatórios policiais e do cruzamento de dados bancários e fiscais realizado minuciosamente pela Receita Federal apontam para a perturbadora conclusão acerca da presença de uma organização criminosa há muito enraizada em diversos escalões da unidade do MAPA/PR”, diz o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, em sua decisão.

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