O pedido se baseia em série de reportagens produzida pela Folha de S.Paulo sobre auditoria feita nas contas da seguradora Líder, consórcio responsável por gerir o seguro obrigatório pago a vítimas de acidentes de trânsito no país.
Furtado argumenta que a auditoria identificou "extensa lista de inconsistências financeiras e administrativas, muitas das quais implicando despesas aparentemente excessivas e/ou irregulares, com possível impacto no valor cobrado pelo seguro".
A auditoria questiona gastos de cerca de R$ 1 bilhão, entre despesas sem comprovação, concentração de sinistros em pequeno número de médicos, gastos excessivos com advogados e até compra de garrafas de vinho e de um veículo usado pela esposa de ex-diretor da empresa.
O trabalho foi realizado pela consultoria KPMG, por encomenda da gestão atual da Líder, consórcio formado em 2007, com a atribuição de arrecadar os prêmios pagos por proprietários de veículos e pagar as indenizações.
A Líder protagonizou um embate com o governo Jair Bolsonaro no fim de 2019, após proposta da Susep (Superintendência de Seguros Privados) para acabar com o DPVAT, sob o argumento de que o modelo sobrecarrega os mais pobres.
O imbróglio foi tema de duas ações no STF. Na primeira, o partido Rede Sustentabilidade conseguiu reverter a extinção do seguro. Na segunda, a Líder tentou evitar corte no valor dos prêmios.
Furtado pede análise também de suposta ligação entre o PSL, partido pelo qual Bolsonaro foi eleito, e a gestora do DPVAT -revelada pela auditoria com base em mensagens de email e aplicativos e recibos de pagamentos.
"A preocupação quanto a eventual excesso no valor cobrado no pagamento do seguro DPVAT se torna ainda mais significativa quando se sabe que a gestão desses recursos pela Seguradora Líder pode estar sob influencia de interesses pessoais e políticos", escreveu.
Ele pede a atuação do TCU para verificar se os órgãos de fiscalização adotaram providências para apurar as despesas questionadas pela auditoria e se propuseram medidas reparadoras.
O TCU agora analisará se tem competência para analisar o tema. Caso a resposta seja positiva, um processo será aberto e distribuído para relatoria de um dos ministros do tribunal.
A Seguradora Líder defende que adotou todas as medidas administrativas e de compliance cabíveis e que, como alguns dos temas não cabiam à empresa, encaminhou o relatório à Susep.
A Susep diz que o documento encontra-se sem apuração pela área de fiscalização da autarquia.
