SÃO PAULO - O cenário externo pesou e fez o dólar ganhar força em escala global nesta quinta-feira. A moeda americana fechou a R$ 3,179, uma valorização de 1,01% ante o real. Já o Ibovsepa, principal índice de ações da B3%, recuou 0,90%, aos 67.976 pontos, após uma sequência de quatro altas consecutivas.
A maior preocupação entre os investidores é o enfraquecimento do apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Congresso americano, principalmente após suas declarações sobre os manifestantes de extrema-direita. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, operava em alta de 0,20% próximo ao encerramento dos negócios no Brasil. Em menor grau, o atentado terrorista em Barcelona (Espanha) também contribuiu para uma busca por proteção.
— Os negócios no Brasil foram influenciados pelo cenário externo. O atentado teve um pouco de influência, mas o principal estímulo veio da instabilidade política de Trump e o temor de que ele perca ainda mais apoio, em especial dentro do próprio partido — avaliou Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.
A moeda americana já começou o pregão em alta, com os investidores corrigindo parte do movimento de ontem, quando o Federal Reserve (Fed, o bc americano) divulgou a ata de sua última reunião e enfraqueceu a divisa,. “Após o Federal Reserve falar em “paciência” no aperto do juro do país, o o dólar se recupera do tombo de ontem e ganha da maioria das moedas fortes e emergentes”, avaliou Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
Esse clima de aversão ao risco atingiu os principais indicadores de ações. As bolsas americanas fecharam em terreno negativo. O Dow Jones caiu 1,24% e o S&P 500 recuou 1,54%. Na Europa, os principais índices também fecharam em queda. O DAX, de Frankfurt, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuaram, respectivamente, 0,49% e 0,57%. Já o FTSE 100, de Londres, registrou desvalorização de 0,61%.
Além dos fatores externos, internamente os investidores estão de olho nas medidas fiscais que precisam de aprovação no Congresso Nacional. Além disso, foi divulgado nesta quinta-feira os e o , o IBC-Br.
Nos negócios com ações, Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, lembra que a ausência de notícias impediu um melhor desempenho do índice. Além disso, os investidores estão de olho nas negociações entre Palácio do Planalto e parlamentares para a aprovação de nove das onze medidas anunciadas nesta semana.
— Há uma ausência de notícias corporativas e, do lado político, pesa a necessidade de aprovação do Congresso para a maior parte das medidas. Então a questão fiscal ainda não está resolvida. Os indicadores de atividade dão um ar mais positivo, mas o investidor quer ver algo mais concreto que confirme uma recuperação — avaliou.
Marink Martins, consultor do MyCap (plataforma eletrônica da corretora Icap), afirmou que o cenário externo também contribuiu para os negócios com ações no Brasil.
— O mercado vinha caminhando bem. Foram quatro altas seguidas. Claro que há um pouco de realização de lucro, mas a fragilidade mostrada nos Estados Unidos com Trump, com ele ficando isolado, aumenta um pouco a volatilidade — disse.
Pesaram de forma negativa para a queda do Ibovespa o desempenho das ações da Eletrobras. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) recuaram 2,90% e as ordinárias (ONs, com direito a voto) registraram desvalorização de 1,36%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que a estatal devolva R$ 2,9 bilhões aos consumidores por cobranças que teriam sido feito de forma irregular pela Amazonas Energia.
Ainda entre as mais negociadas, os papéis PN da Petrobras tiveram queda de 0,60%, cotados a R$ 13,05, e as ONs tiveram leve alta de 0,14%, a R$ 13,60. O petróleo avançava 1,19% no mercado internacional, com o barril do tipo Brent sendo cotado a US$ 50.87. Já as ações da Vale caíram 1,67% (PNs) e 0,80% (ONs).
A maior queda do pregão foi registrada pela JBS. As ações do frigorífico caíram 4,13%.

