BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi indicado como o relator do projeto que prevê ajuda financeira aos estados e municípios durante o período da pandemia do coronavírus. A indicação de Davi foi feita em reunião virtual dos líderes dos partidos que possuem representação na casa. A reunião, que não foi transmitida pelos canais oficiais do Senado, foi acompanhada pela reportagem. A indicação de Davi foi feita pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). "Essa é uma forma de estabelecer uma relação política e institucional com o governo", disse o presidente do Senado aos líderes. Segundo os parlamentares, a decisão pelo nome do presidente do Senado foi tomada pelo governo e pelos partidos do centrão, que negociam espaço no governo de Jair Bolsonaro em troca de apoio na Câmara. A indicação de Davi Alcolumbre foi decidida nesta segunda-feira e anunciada pelo líder do governo, Senador Fernando Bezerra (MDB-PE) "O mais adequado para a missão de relatar esse projeto é o presidente Davi. Eu concordo com o líder Bezerra nesta indicação", disse o líder do MDB, Eduardo Braga (AM). Quem também apoiou a indicação foi o líder do PP, senador Esperidião Amin (SC). "O presidente Davi já está negociando com o governo. Da forma como ele está agindo, já é de fato o relator deste projeto", afirmou aos colegas, A indicação do presidente do Senado foi apoiada pela maioria dos líderes, entre eles o do PT, Humberto Costa (PE). Durante a reunião virtual, alguns senadores se manifestaram contrários, como a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), Simone Tebet (MDB-MS) e o líder do PSL, Major Olímpio (SP). Eles, contudo, foram voto vencido. "O presidente Davi é adequado e moderado para fazer essa intermediação com o governo", disse o líder o PT. O projeto do governo que será votado no Senado vai engavetar o texto aprovado pelos deputados sem contrapartidas de estados e municípios. O projeto foi articulado pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), com governadores. Para alguns senadores, a decisão de Davi de aceitar a relatoria o coloca em divergência direta com Rodrigo Maia. Davi tem mantido conversas regulares com a equipe de governo, inclusive com o presidente da República Jair Bolsonaro, com quem esteve reunido ainda nesta quarta-feira (22). "O governo está usando Davi para enfraquecer Rodrigo (Maia) e Câmara ", disse um senador ouvido após a reunião. Para tentar barrar o plano da Câmara, o governo, por meio do ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentou aos senadores contraproposta de R$ 127,3 bilhões. Isso inclui R$ 49,9 bilhões com medidas já adotadas e R$ 77,4 bilhões de novas ações. Na segunda-feira (20), o ministro disse que poderia ampliar o plano do governo. Para isso, o Senado teria de aprovar o congelamento de salários do funcionalismo por dois anos. Apesar da promessa, técnicos da economia veem pouco espaço para que esse auxílio financeiro seja expandido. Davi, contudo, falou aos colegas que o congelamento de salários estará na proposta. "Servidor público tem de aprender a perder também", disse o presidente do Senado durante a reunião com os líderes.