Presidente do BB nega interferência política e diz que fará gestão técnica

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

07/05/2021 16h36 — em Economia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O novo presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, negou interferência política na instituição e afirmou que sua gestão será técnica. Esta foi a primeira vez que o executivo falou com a imprensa após assumir o cargo.

"O nível exigido para um profissional que ocupa a presidência do BB é técnico. Não pretendo ocupar espaço político", disse nesta sexta-feira (7), durante a apresentação dos resultados do banco.

Questionado sobre as mudanças na alta cúpula da instituição e em sua equipe, ele considerou "natural" e disse que procura preferencialmente funcionários de carreira para integrar sua gestão. Além disso, Ribeiro afirmou que mantém diálogo com o governo.

Ribeiro tomou posse no início de abril após demissão do ex-presidente da instituição, André Brandão, que se desentendeu com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A transição foi conturbada e pouco depois da troca de comando, dois vice-presidentes deixaram os cargos.

O presidente do conselho de administração do BB, Hélio Magalhães, também renunciou no início de abril e criticou a interferência de Bolsonaro na instituição.

Brandão irritou Bolsonaro em janeiro deste ano, depois de anunciar o fechamento de agências do BB e um programa de desligamento de mais de 5.000 funcionários no momento de alta da taxa de desemprego no mercado.

Ribeiro, entretanto, manteve o plano e, de acordo com o balanço do banco, 3.917 funcionários saíram com o programa de demissão incentivada promovido pela instituição no primeiro trimestre.

Ao todo, 5.533 funcionários aderiram ao programa e os mais de 1.600 restantes serão desligados ao longo do segundo trimestre.

Além disso, mais de 300 agências foram fechadas.

Ele afirmou que o banco analisa periodicamente a necessidade de adequação do tamanho da rede de agências, então outras unidades podem ser fechadas ou abertas ao longo do ano, mas que dentro do programa todos os encerramentos previstos já foram concluídos.

Ribeiro reiterou a ampliação da estratégia digital do banco, com maior foco em agências 100% virtuais e reforço nos canais remotos de atendimento.

Além disso, a instituição investe em atendimento especializado para investidores e agronegócio, por exemplo. "Buscamos soluções adequadas e que atendam as expectativas dos nossos clientes. Ele escolhe onde quer ir e a forma como quer ser atendido, na estratégia de um banco para cada cliente", destacou.

De acordo com o vice-presidente de negócios e varejo, Carlos Motta, durante a reestruturação do banco, 1,4 milhão de clientes migraram de agências físicas para agências digitais. Ao todo, são 6,7 milhões de pessoas com esse tipo de atendimento.

Sobre a venda de ativos do banco, Ribeiro afirmou que permanece o plano de corte de custos e que avaliará oportunidades de mercado para a venda do que não fizer parte do que chamou de "core business" (negócio principal).

Em relação à gestora de investimentos e fundos do banco, BB DTVM, Ribeiro afirmou que se trata de um "core" e que não estuda a venda, mas pode buscar "parceiros estratégicos".

"Estamos estudando [o mercado] e quais são as alternativas para alavancar o negócio e aumentar o retorno aos acionistas, além de encontrar parceiros estratégicos. Mas não temos uma definição madura sobre o assunto", disse.

Mais tarde, em teleconferência com investidores, o executivo disse que a participação do BB na adquirente Cielo também é "core". "Temos um parceiro forte e atuamos por meio da governança corporativa para que a empresa possa se transformar digitalmente, alterar modelo de negócio para trazer mais eficiência", pontuou.

Na gestão anterior, especulava-se a venda da participação de quase 30% do BB na empresa de maquininhas.


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