WASHINGTON. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou na tarde desta quinta-feira em Washington que o PIB potencial brasileiro (taxa de crescimento da economia sem gerar pressões inflacionárias), atualmente está entre 2,2% a 2,5%, pode chegar a 4% se o país conseguir aprovar suas reformas. Em uma palestra para investidores no Instituto Internacional de Finanças (IIF), o ministro tentou passar uma imagem positiva do país.
— Esperamos que o PIB potencial pode chegar a 4% com reformas, o que é bem viável - disse o ministro que, questionado no fim do evento por jornalistas, disse que isso poderia ser obtido em médio prazo - eu acho que é possível, sim, que no futuro o Brasil possa crescer a este tipo de taxa em universo de poucos anos, em três, quatro anos.
Meirelles afirmou que, para isso, seria necessário não apenas fazer grandes reformas macroeconômicas, como a da Previdência e a tributária, mas também mudanças microeconômicas, citando como exemplo a criação da Taxa de Juros de Longo Prazo, que convergirá para as taxas do mercado.
— Isso permitirá que o Brasil cresça mais com menos inflação e menos juros e isso é tudo muito importante. Estamos indo nessa direção, veja que a inflação nos últimos 12 meses no Brasil está nos índices mais baixos da história recente de 2,5% e a taxa de juros real sobre a inflação de um ano também está nos níveis mais baixos da história — disse.
O ministro ainda lembrou que diversos cenários apontam para um crescimento maior que o estimado no Orçamento, de 2% para 2018, lembrando que cada vez mais as projeções se aproximam de 3%. Por outro lado, questionado no evento, ele disse que há um risco de uma nova bolha global:
— O risco seria um atraso, evidentemente do Banco Central americano (Fed) e do BC europeu na normalização das políticas monetárias que levassem a uma bolha nos mercados de ativo internacionais, cujo rompimento pudesse gerar um tipo de crise. Mas isso é um risco. Evidentemente, que o Fed está atento a isso. Para a economia global, esse é o risco que todos devem prestar a atenção — disse o ministro.
Meirelles ainda afirmou que espera que a reforma da previdência seja aprovada ainda este ano, lembrando que isso facilitaria para o presidente a ser eleito em 2018:
— A reforma da previdência ela é interesse, ou deveria ser o interesse das diversas facções políticas de ser aprovada. Porque inclusive se não for, por exemplo aprovada agora, ela terá que ser discutida e aprovada no próximo governo, então isso será ruim para quem assumir, se for o caso, porque o primeiro desafio será enfrentar a reforma da previdência — disse Meirelles.
O ministro também lembrou que, mesmo se a reforma não for aprovada, o novo teto dos gastos públicos, aprovado com uma emenda constitucional no ano passado, tem mecanismos para evitar um estouro das contas públicas:
— Ele tem mecanismos autocorretivos, portanto se não houver aprovação das medidas necessárias e se em algum momento o orçamento e as despesas públicas violarem a regra do teto, os mecanismos são autocorretivos, existe então o corte de novas isenções, subsídios, paralisação de qualquer aumento de contratação ou de salários, etc.



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