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Petróleo e minério caem, e Bovespa perde 2,97%; dólar encosta em R$ 3,40

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RIO - O dólar comercial fechou com valorização de 0,29%, a R$ 3,396, num dia de volatidade. No cenário externo, o recuo nos preços do petróleo e o avanço do PIB americano empurraram a cotação para cima — na máxima, a divisa foi a R$ 3,415. No Brasil, o mercado aguarda a votação da PEC do teto dos gastos, hoje, no Senado, com ampla expectativa de aprovação — a questão, agora, é com qual placar —, enquanto manifestações tomam as ruas de Brasília. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aprofundou as perdas, puxada por Petrobras e Vale, que perderam mais de 5%, e registrou declínio de 2,97%, a 60.986,51 pontos. Até agora, no mês, a Bovespa acumula perdas de 6%.

 

— A Rússia, que é o maior produtor mundial de petróleo, não vai participar da reunião. E não se sabe o que esperar do encontro — comentou o diretor de operações da corretora Mirae, Pablo Spyer, lembrando que o dólar segue na contramão das cotações.

Os preços do petróleo caíram com as dificuldades para fechar um acordo e cortar a produção, amanhã, no encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena. Às 18h, o barril do tipo WTI perdia 3,99%, a US$ 45,20, e o Brent, referência para o Brasil, recuava 3,75%, a US$ 46,43.

Nos EUA, com o impulso dos gastos do consumidor, a economia cresceu 3,2% de julho a setembro, maior ritmo em dois anos. O incremento reforça as expectativas de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na reunião do próximo dia 14. O movimento tende a atrair capitais alocados em outras partes do mundo — especialmente em economias emergentes, como o Brasil—, levando à apreciação do dólar.

— Os ótimos dados sobre a economia americana, com forte expansão no terceiro trimestre, deram força ao dólar — afirma Marcos Henrique Jamelli, analista de câmbio da Gradual Investimentos.

Os investidores observam ainda a votação em primeiro turno, no Senado, da PEC dos gastos públicos, que ganhou relevo após a crise em torno de Geddel Vieira Lima, articulador do governo que se envolveu num escândalo de tráfico de influência e acabou deixando o cargo (Secretaria de Governo).

— O mercado já precificou a aprovação da PEC com 60 votos ou mais. Menos que isso seria ruim — diz Spyer, da Mirae.

O câmbio também foi influenciado pela briga entre comprados e vendidos para a formação da Ptax do mês, taxa que baliza diversos contratos cambiais, que será definida amanhã. No fechamento, os investidores costumam atuar para puxar as cotações do dólar conforme seus interesses. Além disso, desde o dia 22, terça-feira, o Banco Central não faz intervenções para atenuar as oscilações. Por ora, a divisa acumula, no mês, valorização de 5,6%.

As ações da Petrobras registram declínio de 5,27% nas ON (ordinárias, com direito a voto), a R$ 16,70, e 5,17% nas PN (preferenciais), a R$ 14,66, prejudicadas pela queda do petróleo.

Vale teve um dia de perdas: os papéis ON caíram 5,9% e os PN, 4,18%, acompanhando baixa dos preços do minério de ferro — a commodity registrou queda de 4,37% no porto de Qingdao, na China. Assim, a companhia devolveu parte dos ganhos de ontem, quando saltou 7,3%, após uma disparada do minério.

— A queda do minério de ferro e do petróleo determinaram a desvalorização da Bovespa hoje — diz Danilo Zanini, analista da XP Investimentos.

No setor bancário, o mais importante do Ibovespa, o dia também foi de desvalorização, na esteira do mercado e com investidores atentos à reunião do BC, que acaba amanhã — deve ser anunciado corte de 0,25 ponto percentual da Selic, referência dos juros no país, para 13,75%. Banco do Brasil perdeu 3,63%; Bradesco, 3,16%; Itaú, 1,95%; e Santander, 3,64%.

Nos EUA, os índices passaram a subir com os investidores na medida em que os investidores se animaram com o avanço do PIB: o Dow Jones ganhou 0,1% e S&P, 0,17%. Na Europa, apenas Londres fechou em queda (0,4%). Em Frankfurt, o Dax ganhou 0,36% e, em Paris, o CAC 40 avançou 0,91%.

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