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Petróleo cai ao menor valor em cinco meses e derruba Bolsa; dólar recua

Por Folha de São Paulo

06/12/2023 18h00 — em
Economia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira operava em queda no início desta quarta-feira (6) pressionada pelo declínio de ações do setor de petróleo, como Petrobras e PetroRio, acompanhando justamente a fraqueza do preço da commodity no exterior. O barril do petróleo Brent caiu 3,8%, a US$ 74,30, em seu menor patamar desde o início de julho.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a bater os 127.500 pontos na máxima do dia, impulsionado por dados fracos de emprego do setor privado dos EUA, que deram novo fôlego às apostas de que os juros americanos podem cair em breve. O otimismo, no entanto, durou pouco, e o Ibovespa terminou o dia em queda de 1,00%, aos 125.622 pontos.

Os novos dados americanos, porém, tiveram impacto no dólar, que registrou queda de 0,47%, fechando a sessão cotado a R$ 4,901. A perspectiva de juros menores nos EUA tende a pressionar a moeda americana pois diminui a atratividade da renda fixa do país, fazendo com que investidores realoquem seus recursos para mercados de maior risco.

Na semana passada, a AIE (Administração de Informação de Energia) dos EUA divulgou que os estoques de gasolina no país aumentaram em 5,4 milhões de barris, surpreendendo analistas, que esperavam aumento de 1 milhão de barris.

O aumento dos estoques acendeu alertas no mercado sobre a demanda pela commodity, o que vem derrubando os preços. Desde a última quarta, o petróleo acumula queda de mais de 10%.

"Há uma destruição da demanda vinda do lado do combustível. O mercado está mais focado na demanda do que na oferta neste momento", diz Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociação da BOK Financial.

A Opep+, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, concordou no final da semana passada com cortes voluntários na produção de cerca de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) para o primeiro trimestre de 2024. Nesta semana, autoridades sauditas e russas disseram que os cortes poderiam ser prorrogados ou aprofundados para além de março.

O declínio do petróleo arrastou ações do setor na Bolsa brasileira, que fecharam em forte queda. A Petrobras, segunda maior empresa do Ibovespa, tombou 3,59%, e a PetroRio recuou 4,13%. Ambas ficaram entre as mais negociadas da sessão.

Além disso, a PetroRecôncavo liderou as baixas do dia, com queda de 6,58%. A 3R Petroleum também aparece na lista, recuando 3,48%.

No câmbio, investidores digeriam a publicação do relatório de emprego no setor privado da ADP, que precede o dado do governo mais abrangente de criação de vagas de sexta-feira. A criação de vagas de trabalho no setor privado dos Estados Unidos indicou abertura de 103 mil postos no mês passado, abaixo dos 130 mil aguardados por economistas ouvidos pela Reuters.

"Hoje foi um dia de alívio no mercado de câmbio, que respondeu a dados mais fracos do mercado de trabalho nos EUA. Isso foi suficiente para o mercado voltar a precificar queda nos juros a partir do início do próximo ano", afirma Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

Os dados fracos tendem a reforçar apostas num Fed mais brando em sua reunião de política monetária da semana que vem, mas investidores alertavam que o relatório não é um indicativo muito fiel dos dados mais abrangentes do governo.

Quartaroli, por exemplo, afirma que ainda é cedo para classificar o movimento de baixa como uma tendência, já que o mercado de câmbio tem registrado fortes oscilações com indicadores da economia americana. Além disso, a divulgação do chamado "payroll", o principal relatório sobre mercado de trabalho dos EUA, deve ter impacto significativo no comportamento das moedas.


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