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Economia

Pela 8ª vez seguida, economistas recuam estimativa de crescimento do PIB brasileiro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela oitava vez consecutiva, o mercado reduziu as projeções para o crescimento econômico neste ano. A alta de 1,95% registrada há uma semana agora está em 1,71%.

Não é de hoje, porém, que os economistas que respondem ao Boletim Focus, do Banco Central, vêm reduzindo as suas previsões para o PIB (Produto Interno Bruto), levados, primeiro, pela fraca herança deixada por 2108. Mais tarde, pelo desencanto precoce com o governo de Jair Bolsonaro (PSL).

O grupo chegou a prever crescimento ao redor de 2,6% em meados de janeiro.

As previsões começaram a piorar com mais força após 13 de fevereiro, data em que as expectativas para o PIB de 2019 estavam em 2,5% -marca que não foi mais alcançada.

Em um primeiro momento, a divulgação do PIB de 2018, em 28 de fevereiro, acendeu o sinal amarelo. Um dia depois, em 1º de março, o Focus registrou a revisão diária mais brusca desde o início de 2018.

As previsões foram reajustadas de uma alta de 2,46% para 2,3%.

A redução de 0,16 ponto percentual de um dia para o outro superou o maior ajuste feito para o PIB de 2019, ocorrido em junho do ano passado. No dia 18 daquele mês, a redução foi de 0,15 ponto percentual (de +2,7% para +2,55%).

Além do baixo crescimento da economia em 2018, de 1,1% no período, os economistas souberam também que, no último trimestre de 2018, a economia cresceu apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, deixando uma herança bastante fraca para este ano.

Além da frustração com o desempenho do PIB no ano passado, as revisões mais recentes passaram a absorver decepções com o governo.

Além da falta de articulação política para tocar projetos considerados cruciais pelo mercado (como a reforma da Previdência), economistas colocam na conta riscos não mapeados, como os ligados à política econômica do governo.

As idas e vindas em relação ao preço do diesel seria o exemplo mais emblemático.

A notícia ruim é que esse risco parece ainda não ter sido incorporado pelo Focus, o que significa que as revisões baixistas devem continuar.

No mercado, já há quem espere uma alta para o PIB abaixo de 1,5%. Não é demais lembrar que, até junho de 2018, a alta esperada para o PIB deste ano chegava a 3%.

Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, diz que suas estimativas foram caindo ao longo dos meses: a previsão, que até o início de fevereiro era de alta de 2,5%, caiu para 1,7%, número que também foi revisto.

"Neste ano vamos crescer 1% mesmo. A economia cresce em ritmo lento por problemas de oferta ligados ao PIB potencial [o quanto a economia pode crescer sem pressionar a inflação], que por sua vez refletem e vão refletir por muitos anos a política heterodoxa equivocada da presidente Dilma Rousseff", diz Oliveira.

Alberto Ramos, diretor de pesquisa para América Latina do Goldman Sachs, diz ser "extremamente decepcionante que a retomada depois da maior recessão da história recente seja tão fraca". Isso, diz ele, apesar de juros na mínima histórica e inflação baixa e controlada.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, espera expansão de 1,3% para a economia em 2019. "Em economias estagnadas, o risco político acaba gerando crises", diz.

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