Por David Lawder
WASHINGTON, 7 Out (Reuters) - Ministros do Comércio de vários países do G20, juntamente com a União Europeia e a Polônia, aderiram a uma declaração liderada pelos EUA que clama por medidas para eliminar o excesso estrutural de capacidade fabril e as políticas “não mercadológicas” que incentivam a superprodução, informou na quarta-feira o gabinete do Representante de Comércio dos EUA.
A declaração conjunta -- que não contou com a adesão do Brasil -- foi acordada por representantes seniores dos países à margem de uma reunião do Comitê de Comércio da OCDE. Uma reunião liderada pelos EUA com os ministros do Comércio do Grupo dos 20, realizada em Milwaukee na semana passada, não conseguiu chegar a um consenso sobre o tema do excesso de capacidade industrial.
“Exortamos todos os países a tomarem medidas para eliminar o excesso estrutural de capacidade e produção em suas economias, inclusive por meio do fim do uso de políticas e práticas não mercadológicas que distorcem os mercados e contribuem para o problema”, afirmaram os ministros do Comércio na declaração.
“Observamos que, na ausência de tais medidas, um número crescente de países está tomando medidas para defender suas indústrias, trabalhadores e economias contra as distorções resultantes dessas políticas e práticas.”
A declaração foi assinada pelos ministros do Comércio da Argentina, Austrália, Canadá, União Europeia, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Polônia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
Notavelmente ausentes da declaração conjunta estavam os membros do G20 China, Brasil, Indonésia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul.
A declaração afirma que o excesso estrutural de capacidade e produção leva à superprodução, desestimula o investimento baseado no mercado e prejudica as exportações baseadas no mercado, distorcendo preços e padrões de produção e impedindo a concorrência.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, há muito argumenta que o excesso estrutural de capacidade na China, alimentado por subsídios estatais, levou a uma enxurrada de exportações chinesas que estão pressionando as indústrias nacionais em todas as regiões.
A China rejeitou as alegações de que suas políticas industriais tenham criado excesso de capacidade e acusa os países ocidentais de usar a questão para justificar medidas protecionistas.
Greer afirmou em comunicado que não é surpreendente que países afetados por déficits comerciais crescentes ou que sentissem outras pressões devido às exportações impulsionadas pelo excesso de capacidade tivessem se comprometido com uma ação coletiva. “O sistema comercial global está completamente desequilibrado, e o presidente Trump está corrigindo isso com parceiros que compartilham da mesma visão”, acrescentou.
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