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Paramount negocia para levar criadora do The Free Press ao comando da CBS News

PELOTAS, RS (FOLHAPRESS) - A Paramount está considerando levar ao comando do tradicional grupo jornalístico CBS News a jornalista Bari Weiss, de acordo com reportagens do New York Times e Variety. As reportagens destacam que a escolha da jornalista de perfil combativo, que já se posicionou a favor de Israel e criticou movimentos como o Black Lives Matter, rompe com a postura tradicional do grupo.

Weiss acumula passagens por grandes nomes da mídia americana, como Wall Street Journal e New York Times. Em 2020, ela se demitiu do cargo de editora de opinião do NYT e criticou publicamente o jornal, afirmando que o Twitter havia se tornado o "editor definitivo" do conteúdo produzido pelo grupo.

Após a saída do NYT, ela fundou e lidera até hoje a startup de mídia online The Free Press. O grupo é conhecido por criticar organizações jornalísticas tradicionais. As conversas de Weiss com a Paramount, segundo as fontes ouvidas pelos jornais americanos, ainda não são definitivas.

Segundo as fontes ouvidas pelos jornais americanos, a contratação de Weiss pela CBS News faz parte de um movimento mais amplo para adquirir o The Free Press, avaliado em mais de US$ 100 milhões em 2024.

A mudança faz parte da nova administração de David Ellison, aliado do presidente americano Donald Trump e filho do bilionário da tecnologia Larry Ellison. Ellison é dono da empresa Skydance, que se fundiu com a Paramount no mês passado em um acordo de US$ 8 bilhões.

A Skydance se comprometeu a acabar com programas de diversidade, equidade e inclusão nas empresas e, ainda, nomear uma pessoa que ficaria responsável por analisar reclamações de parcialidade envolvendo a CBS, que pertence à Paramount. O cargo ficou com Kenneth R. Weinstein, um defensor de longa data de políticas conservadoras.

Weiss iniciou o projeto em 2021 com sua esposa, Nellie Bowles, que também foi repórter do NYT, e sua irmã, Suzy Weiss. O grupo digital possui 1,5 milhão de assinantes (número que inclui pagantes e não pagantes).

Em suas colunas para o The Free Press, Weiss se opôs a programas de diversidade e inclusão, cobriu e comentou sobre o que ela chamou de "guerra de defesa" de Israel na Faixa de Gaza e revelou ter votado em Joe Biden para presidente em 2020.

Em entrevista à Folha em 2020, Weiss criticou a cultura do cancelamento, se descreveu como uma "centrista" e disse que o NYT e outros jornais fazem "mais realismo socialista" do que escrever notícias.

Para o presidente do departamento de jornalismo televisivo da Faculdade de Jornalismo Philip Merrill da Universidade de Maryland, Mark Feldstein, ouvido pela Variety, a chegada de Weiss ao comando da CBS News causaria uma debandada de jornalistas experientes e criaria um risco real de perder o público tradicional do veículo. "Sem mencionar a perda para os cidadãos que antes confiavam na CBS para um jornalismo independente e comprometido com a verdade. Isso é profundamente perturbador", disse Feldstein.

O novo CEO da Paramout recentemente sugeriu que ele vislumbrava uma divisão de notícias que possa "falar para o maior público possível", com jornalismo que atraia aproximadamente 70% dos americanos que vão "da centro-esquerda à centro-direita".

Recentemente, a CBS News acumulou embates com a administração Trump. Em julho deste ano, a emissora cedeu à pressão e concordou em pagar US$ 16 milhões ao presidente para resolver um processo envolvendo o programa "60 Minutes", um dos mais populares do canal.

Durante a corrida presidencial, Trump acusou o grupo de editar uma entrevista com a então vice-presidente e candidata Kamala Harris para beneficiar a campanha da democrata.

As desavenças continuaram a surgir depois disso. A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou o dominical "Face the Nation" de editar enganosamente uma entrevista com ela. Dois dias depois, a empresa afirmou que passaria a transmitir somente entrevistas realizadas ao vivo, ou pré-gravadas sem cortes ou edições no programa.

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