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‘Para se recuperar, uma cidade tem de ser realista’, diz especialista

DETROIT - Não tenha raiva dos ricos e das empresas. Use a falência para repensar suas prioridades. E não descuide da segurança. Estas são algumas lições que o renascimento de Detroit dá a outros governos do mundo, na opinião de Erik Gordon, professor da Ross Escola de Negócios da Universidade de Michigan. Ele afirma que a iniciativa privada tende a atuar melhor na recuperação do que os governos pois visa ao lucro, e argumenta que o progresso é contagiante.

Os investidores privados, não o governo, estão comprando edifícios e remodelando-os para fins residenciais e de escritório. O governo pode, muitas vezes, usar dinheiro em projetos sem futuro, mas os investidores privados colocam dinheiro em projetos somente quando podem imaginar bons retornos futuros. Os investidores privados podem estar enganados, mas é um sinal de renascimento. Eles terão chance de investir em Detroit. Isso não aconteceu por muitos anos. A equipe de basquete profissional que se mudou para um subúrbio há muitos anos está voltando para o centro da cidade. Isso indica que o time espera ser capaz de atrair espectadores de volta para Detroit.

Sim. O investimento privado permanecia arisco, assim, ter a capacidade de oferecer incentivos fiscais é uma maneira importante de inclinar a decisão de investimento para “sim”. Mesmo após a concessão de alívio de impostos, a cidade acaba ganhando economicamente porque os edifícios vazios são reabertos e ocupados com inquilinos e compradores, gerando novos impostos.

A falência foi crucial. Detroit estava presa em um pântano de dívida que seria inescapável sem essa medida. A cidade precisava da bancarrota para retomar a prestação de serviços municipais, que tinha sido forçada a abandonar. Sem esses serviços, não poderia ter havido investimento privado nem esperança de recuperação.

Detroit pode fazer bem em desenvolvimento de software, mobilidade e conectividade de veículos, design de engenharia, logística e música. Há muitos talentos de engenharia na região, e alguns podem ser atraídos para a cidade. A cidade também tem uma história de produção de música popular. Se a cidade atrair uma população estável e bem empregada, os setores de varejo, restaurantes e entretenimento crescerão.

Um risco é Detroit retroceder à sua maneira antiga de pensar que o resto do estado e do país devem ajudá-la. Essa sensação de direito levou a cidade a entrar na bancarrota e poderia levá-la de novo à falência. Outro risco é que a cidade entre em uma espiral de violência, como ocorreu há 50 anos. Os incêndios e os saques não fizeram nada para resolver as queixas que contribuíram para eles e pioraram a vida para os rebeldes, seus filhos e seus netos. Detroit é uma cidade propensa à violência, então uma repetição do desastre não é impensável. Acabaria com a recuperação de Detroit, porque o investimento privado e os jovens deixariam a cidade de novo.

Para se recuperar, uma cidade tem de ser realista. Se você está na falência, deixe de jogar o dinheiro em outras coisas e priorize sua reorganização. Reconheça que a reorganização não funciona a menos que você faça mudanças drásticas para se afastar das práticas de excesso de gastos e corrupção que o levaram à falência. Apenas reduzir sua dívida não transforma sua cidade. É o primeiro passo no trabalho árduo. Detroit foi uma cidade corrupta em excesso por décadas. E não odeie empresas ou pessoas ricas. Muitos políticos de Detroit usaram a política de ressentimento para serem eleitos. Isso feriu o povo de Detroit. Tenha negócios e pessoas ricas para fazer parte da vida e da recuperação da cidade. Não os afaste. Detroit tem um longo caminho a percorrer para ser novamente uma grande cidade, mas em apenas alguns anos tornou-se muito melhor e mais feliz. O progresso é inspirador. Detroit tinha edifícios e lojas de licor em ruínas. Agora, tem lugares legais para viver, trabalhar, comer uma boa refeição e ouvir música. Detroit não tinha senão desespero e ressentimento. Agora, tem orgulho e esperança. É um farol de esperança para cidades que cometeram seus próprios erros.

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