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Para FMI, Rio pode precisar de novo socorro financeiro em 2020

RIO - Com uma situação de crise fiscal aguda, alguns estados do país chegaram a ser especificamente citados no último relatório anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia brasileira, divulgado nesta quinta-feira. Foi o caso de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que juntos foram apontados como estados com “dificuldades financeiras extremas”. Enquanto a situação do estado do sul pode ser equilibrada com empréstimos a curto prazo, porém, a Cidade Maravilhosa precisará de reformas mais longas e profundas para tornar suas finanças sustentáveis — senão, corre o risco de precisar de novos socorros financeiros já em 2020, alerta o Fundo.

Sem rodeios, o documento constata que a situação do Rio é “desastrosa”. Segundo a entidade, o pacote de três anos de ajuda financeira acordado com o governo no início deste ano pode não ser suficiente para equilibrar as contas do estado. “No final de 2016, o Rio acumulava um déficit estimado em R$ 26 bilhões para o ano de 2017 (3,7% do PIB do Estado e 0,4% do PIB do Brasil). (...) Apesar de este pacote ajudar o Rio a lidar com pressões financeiras em 2017, medidas adicionais serão necessárias para financiar grandes déficits esperados em 2018 e 2019”.

Além deles, o Fundo defende que é preciso realizar reformas a fim de conter o crescimento estrutural dos salários e das pensões. Sem isso, o estado vai continuar lidando com um cenário de insuficiência fiscal e, em 2020, seriam necessários novos pacotes.

O texto discorre ainda sobre a crise do estado, resultado da combinação de um rápido aumentos de despesas ao longo de anos, de uma dupla redução de receitas — tanto por causa da forte recessão, como graças aos royalties, que diminuíram com a queda dos preços do petróleo.

Apontado como o principal problema do Rio Grande do Sul estão os elevados gastos com pensões e salário que, segundo o relatório, tornaram-se problemas estruturais. O texto defende que a tendência acabou por afetar também a qualidade do setor público, já que professores e funcionários tentam se aposentar cada vez mais cedo devido à incerteza sobre o cenário de reforma previdenciária.

Sobre o Rio Grande do Sul, um empréstimo de curto prazo pode equilibrar as contas. Mesmo assim, diz o FMI, são necessários ajustes de longo prazo para garantir a sustentabilidade das finanças do estado.

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