BRASÍLIA — O ministro da Casa Civil, , afirmou que o déficit de R$ 268,7 bilhões na em 2017, , mostra que, sem uma , o Estado brasileiro ficará paralisado. O governo está irritado com as movimentações para deixar a votação da reforma para novembro, embora isso seja considerado mais viável pelos parlamentares, que não querem se desgastar com este assunto antes das eleições.
— O Orçamento de 2019, com um crescimento igual no déficit, imporá nova redução em investimentos em infraestrutura e na área social. O grande e crescente déficit ajudará a mostrar para todos os parlamentares que o modelo atual de Previdência tem que ser mudado; caso contrário, ela promoverá a paralisação do Estado Brasileiro — disse Padilha ao GLOBO.
Padilha ponderou que o governo tem que mexer em outras rubricas do Orçamento para fechar as contas devido ao déficit, pois há a restrição do teto dos gastos.
Aliados de Temer ficaram irritados com as negociações do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para adiar a votação da reforma, prevista para fevereiro. Temer conversou com aliados que reclamam da postura de Maia, que só pensa em não sair como derrotado do processo.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), classificou de "estelionato eleitoral" o adiamento da votação para novembro, alegando que os deputados irão dizer aos eleitores que não votaram a proposta em fevereiro, mas depois votarão um mês depois das eleições. Para Mansur, não há como ter essa postura política. Ele defendeu junto a Temer que o governo vote a reforma mesmo com risco de derrota, para marcar posição.
— Deixar para novembro é estelionato eleitoral, é querer enganar o eleitor. Alguém se eleger pregando que não votou a Previdência e depois votar, não é possível. Defendo que se vote no dia 19 de fevereiro, para ganhar ou para perder — disse Mansur.
O presidente da Câmara já costura uma agenda econômica alternativa à reforma da Previdência. Maia, inclusive nas suas palestras no exterior, na semana passada, defendeu a votação de outros pontos de interesse do governo e do mercado. Na agenda paralela de Maia, está o projeto de lei que trata da privatização da Petrobras, encaminhado no final da semana passada pelo governo; e as Medidas Provisórias que tratam da suspensão do reajuste dos servidores e do aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo. As duas MPs tiveram seus efeitos suspensos, mas ele acredita que o STF vi reverter essas decisões.
Maia ainda coloca na agenda a questão da reoneração da folha de pagamento de alguns setores.
Para o presidente da Câmara, o governo demora a encaminhar as propostas, aumentando a contaminação do debate pelo clima eleitoral. Ele chegou a dizer, na semana passada, que o governo deveria ter enviado em outubro — e não agora — o projeto da privatização. Um dia depois da crítica, Temer divulgou a proposta.
Maia costuma argumentar que não adianta ficar apenas esperando o governo obter os 308 votos necessários para aprovação da Previdência.

