BRASÍLIA — O ministro da Casa Civil, , disse nesta quinta-feira que o governo vai "liquidar" a questão da em . O ministro afirmou que o presidente vai "encerrar" o assunto este mês, e que a votação da proposta é uma luta "que deve ter um momento de parar". Padilha disse que não trabalha com a hipótese da não aprovação da matéria, ainda que o governo admita que, hoje, não tem os votos para aprovar a reforma.
— Temos uma batalha que deve ter um momento de parar e, na nossa visão, (esse momento) é fevereiro. Queremos votar em fevereiro e estamos fazendo de tudo para ter os votos necessários — afirmou Padilha.
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O discurso do ministro contraria integrantes da equipe econômica, que já admitiram que, sem os votos, o ideal era tentar votar a reforma em novembro, após as eleições. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também vem dizendo que só pautará a matéria se o governo tiver os 308 votos necessários para aprovar a proposta, mas o governo pressiona pela votação no dia 20 de fevereiro.
— O presidente Temer tem dito que quer em fevereiro encerrar esse assunto, e estamos fazendo de tudo para votar e aprovar. Não posso raciocinar com a não-aprovação — disse Padilha, que acrescentou: — A posição do governo é liquidar esse tema em fevereiro.
O ministro da Casa Civil também admitiu novas mudanças no texto que está na Câmara, contanto que isso se traduza em votos para aprovar a proposta. O próprio relator da matéria, deputado Arthur Maia (PPS-BA), já havia dito que vem recebendo sugestões e que há possibilidade de atender às pressões de integrantes da chamada Bancada da Bala e ao lobby dos servidores que ingressaram no serviço público até 2003, que querem uma regra de transição mais branda.
— Em princípio nosso texto é o relatório do deputado Arthur Maia. Porém, se nos mostrarem por A, B e C que efetivamente nos garantam os votos para que possamos aprovar, é possível ainda que se façam mudanças — explicou Padilha.
Depois de se reunir na tarde desta quinta-feira com o presidente Michel Temer, o deputado Rogério Rosso (PSD-SP) classificou de "fake" (falsa, em inglês) a data de 19 de fevereiro para votação da reforma da Previdência. Um dos vice-líderes do governo, Rosso rebateu ainda as .
Rosso diz que pediu a Temer que desista de votar a reforma no dia marcado e que faça alterações profundas no trechos que afetam os servidores, mas admitiu que o presidente continua "obstinado" pela votação da reforma.
— Essa data é um ‘fake’, porque a reforma não vai ser aprovada. Se colocar para votar, o governo vai ser derrotado. Fiz o apelo ao presidente Temer: não coloque essa data do dia 19, e farei esse apelo ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. O presidente compreende, tem absoluta noção das dificuldades, mas, ao mesmo tempo, insiste e é obstinado — disse Rosso.
Rosso disse que mesmo que o governo faça mudanças no texto da Previdência, beneficiando os servidores públicos, não conseguirá os votos necessários. O deputado tem recebido várias entidades de servidores e negou que, com isso, esteja defendendo privilégios. Ele chamou o texto atual de "piada de mau gosto" e disse que a proposta precisava de um "recall".
O parlamentar disse ainda que é amigo de Marun, mas que não concorda com suas avaliações do ministro:
— Com as mudanças, a cumbuca enche um pouco, mas ainda acho que é insuficiente. Marun, a quem respeito, está equivocado em relação aos números: faltam muito mais do que 50 votos. Há 230, 240 votos — disse Rosso.
Nessa semana, . Em dois minutos e meio, a canção serve como trilha sonora para frases que explicam porque o legislador não é favorável à proposta enviada pelo governo.

