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Pacote argentino não acalma mercados e dólar fecha a 39,79 pesos

BUENOS AIRES - Os anúncios do presidente argentino, Mauricio Macri, e de seu ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, não foram suficientes para acalmar as tensões no mercado interno e, tampouco, para afastar as dúvidas de investidores estrangeiros sobre o futuro do país. Em ambos os casos, é aguardado o resultado da nova rodada de negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de voltar a demonstrar confiança no governo argentino. Apesar de o Banco Central local ter injetado US$ 358 milhões nesta terça-feira, o dólar subiu 1,92% e fechou cotado a 39,79 pesos. Nos Estados Unidos, as ações de empresas argentinas despencaram 14%.

Depois de ter confirmado que o país avançará na implementação de um programa fiscal muito mais ousado, com meta de zerar o déficit em 2019, o ministro da Fazenda viajou para Washington com o objetivo de conseguir que o Fundo libere até o final do ano que vem o total dos US$ 50 bilhões previstos no acordo selado em junho passado. Isso significa que, em 2019, os desembolsos seriam, se o organismo autorizar o novo cronograma solicitado pela Casa Rosada, de US$ 29 bilhões.

O governo Macri sabe que somente este gesto do Fundo poderá acalmar as águas.

- Se nossa demanda for aceita, ficará claro que não precisaremos sair aos mercados até 2020. É o que o mercado está esperando - admitiu o ministro do Interior, Rogerio Frigerio.

As pressões sobre o governo argentino são cada vez maiores. Em paralelo às negociações com o FMI, o chefe de Estado enfrenta o desafio de alcançar consensos com setores políticos da oposição, sobretudo o peronismo, sem o qual não conseguirá obter sinal verde do Parlamento para seu projeto de Orçamento para 2019.

Nesta terça, governadores peronistas se reuniram na capital argentina para discutir a crise e queixaram-se da falta de informação que recebem do governo Macri.

- Temos de esperar que o governo nos informe qual é sua proposta de Orçamento, parece que o FMI fica sabendo de tudo antes que nós, os governadores, tenhamos acesso a essa informação. O governo não dialoga conosco - questionou Alberto Rodríguez Saá, governador de San Luis.

O peronismo está, claramente, vendo a oportunidade de ressurgir das cinzas e começar a posicionar-se para as presidenciais de 2019. Com a senadora e ex-presidente Cristina Kirchner às voltas com processos judiciais (leia-se já tendo sido indiciada, processada e até mesmo ter tido sua prisão ordenada por um juiz), outros caciques peronistas estão se mobilizando para construir uma alternativa de poder ao macrismo.

Esse é o grande problema do presidente. Ele precisa do apoio do peronismo para avançar, sobretudo em matéria fiscal, mas o peronismo especula com o fracasso de Macri para retornar ao poder.

O projeto de Orçamento será enviado ao Congresso em meados deste mês e sua aprovação ainda não tem data.

- Se o país está vivendo uma emergência, o presidente deve convocar todos - declarou o governador de Tucumán, Juan Manzur.

O gabinete macrista, agora reformado, tenta transmitir mensagens de confiança. Em discurso em evento organizado para comemorar o dia da indústria, o ministro da Produção, agora também à frente da pasta de Agroindústria, Dante Sica, mostrou-se confiado em que até o final deste ano a taxa de juros do BC, atualmente de 60% (a mais alta do mundo), será reduzida.

- Temos confiança nas últimas medidas anunciadas e nesta revisão do acordo com o FMI. Até o final do ano veremos uma baixa nas taxas de juros e a economia deixará de cair - declarou o ministro, que no evento, numa verdadeira metáfora do atual momento que vive a Argentina, sofreu um acidente dentro de um elevador que despencou um andar.

De acordo com dados divulgados nesta terça, em julho, a produção industrial recuou 5,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

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