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O que pesa contra os vice-presidentes afastados da Caixa

BRASÍLIA — Confira, a seguir, o que pesa contra os quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, que foram afastados do cargo pelo presidente Michel Temer, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF):

Pouco depois de ser empossado, foi procurado por Eduardo Cunha, que teria colocado três condições para mantê-lo no cargo: tinha de exonerar Hermínio Basso da diretoria de banco coorporativo; realizar reuniões semanais na casa de Cunha para 'prestar contas'; e fornecer listas de empréstimos acima de R$ 50 milhões, que já houvessem sido aprovadas e nas quais o crédito estivesse prestes a ser liberado para ajudar a rentabilizar seu mandato. O executivo declarou em investigação interna que a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) teria pedido ajuda no levantamento de recursos para o custeio dos seus gastos de campanha, mas não foi atendida. Disse também ter recebido demandas de parlamentares do PRB de patrocínio, apoio a operações de crédito ou de agendamento de reuniões com empresários e que repassou as solicitações para as áreas pertinentes.

Segundo o MPF, as reuniões ocorreram após “aparente condicionamento” do ex-ministro da Indústria Marco Pereira e pelo deputado Celso Russomano para que as demandas fossem atendidas para que ele permanecesse no cargo. Ferreira diz acreditar que quatro consultores que trabalhavam com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, quando esse foi vice-presidente da Caixa, poderiam ser fontes de vazamento de informações privilegiadas. Segundo os procuradores, isso mostra que o grau de penetração da influência política na estrutura organizacional vai além dos níveis superiores. Durante as negociações de um empréstimo para a Alpargatas, que seria de interesse do grupo J&F, em maio do ano passado, Occhi teria pedido a Ferreira para visitar a JBS para explicar a questão da diminuição do ritmo de concessão de empréstimos. Ferreira se encontrou com Wesley Batista. E disse que acredita que o presidente do PP, Ciro Nogueira, estaria por trás do agendamento dessa reunião. Num dos áudios da delação premiada, o empresário Joesley Batista fala em realizar um “'movimento por fora”' para barrar a política de desalavancagem da Caixa.

Admitiu ter suporte político do PR para manter-se no cargo. Trabalhou diretamente com o ex-vice-presidente Fábio Cleto — preso na Lava-Jato por repassar informações privilegiadas a Lúcio Funaro e Eduardo Cunha das empresas Br Vias (Grupo Constantino) e Seara (Grupo JBS). Ela trocou e-mails com políticos para que assumisse posto no Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Segundo o MPF, teria insinuado “troca de interesses” numa operação financeira que ainda tramitava no banco. Ela doou R$ 20 mil para a campanha de Tadeu Filipelli, ex-vice-governador do Distrito Federal. O MPF ainda apreendeu uma planilha com o nome de pessoas politicamente relevantes – notadamente ministros, prefeitos e governadores – organizada por ela. Na ausência de Cleto, ela teria se apresentado a Cunha como sua substituta. Sua indicação teria sido pedida por Occhi ao PR. Deusdina é mencionada por Cleto e Funaro em conversas privadas, utilizando-se de apelidos para ocultação de identidade (respectivamente, “Gordon Gekko” e “Spin”) para tratativa de interesses de Eduardo Cunha no banco.

Alternou diversas indicações políticas que garantiram a ele posições de destaque no banco. Mensagens de Eduardo Cunha a Geddel Vieira Lima mostrariam a intermediação de interesses do empresário Henrique Constantino na Caixa na CEF por meio de Derziê. O relatório de investigação interna, interesses privados foram encaminhados por Cleto e teriam ficado aos cuidados de Derziê. O empresário Joesley Batista afirma saber que Derziê seria uma das pessoas envolvidas em recebimento de pagamentos indevidos e que integrava o grupo criminoso do doleiro Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. O MPF cita que a auditoria interna constatou uma troca de mensagens com outro executivo da Caixa sobre 'Ligação Cabeça Branca dia jogo do Brasil'. Segundo os procuradores, o termo cabeça branca era referência ao ministro da secretaria de governo, Moreira Franco. Os dois possuem uma relação de proximidade e, de acordo com a auditoria, Derziê recebeu pedidos do ministro Moreira Franco, inclusive em relação ao fornecimento de informações sobre o status de operações em trâmite no banco.

Derziê afirmou aos auditores que não retornou a Moreira Franco com as informações. Segundo o relatório de investigação interna, após confrontado com e-mail do então vice-presidente da República Michel Temer enviado no dia 28/10/2015 com o pleito para o Superintendente Regional de Ribeirão Preto, Derziê indicou o nome solicitado para José Henrique Cruz, que comentou que era o 'centésimo pedido' pelo mesmo nome. A pessoa foi nomeada. De acordo com o MPF, Derziê teria dito que Michel Temer “percebeu sua utilidade em termos de gestão dos repasses nas emendas parlamentares”, mas que tem uma relação política personalizada, não partidária. Ele recebeu do ex-ministro Geddel uma mensagem contendo seus dados de conta pessoal. Derziê contou que Geddel monitorava de perto operações com interesses de parlamentares, “inclusive elaborando planilha para esse objetivo”.

Manteve relações com Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha. Os dois políticos estariam interessados especificamente nas operações Marfrig/Seara e J&F. Segundo o relatório de investigação interna, ao tratar dessas operações, Geddel teria procurado José Henrique e, logo em seguida, afirmando para Cunha que “José Henrique Marques da Cruz já teria se comprometido a assinar cédula de crédito bancário no dia seguinte”. Geddel e Cunha teriam feito pressão direta para que José o vice-presidente da Caixa assinasse documentos referentes à operação da J&F. Os dois políticos esperavam sinalização de pagamento da J&F em razão dessa operação. O departamento de José Henrique era vigiado pelos dois políticos e pelo doleiro Lúcio Funaro, de acordo com o MPF, em mensagens eletrônicas sobre interesses negociados entre eles.

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