RIO - O número de trabalhadores sem emprego atingiu o nível recorde de 14,2 milhões de pessoas no trimestre encerrado em março deste ano, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Isso significa 1,8 milhão de pessoas a mais que em igual período do ano passado, uma alta de 27,8%. É a primeira vez que o número de desempregados ultrapassa a marca de 14 milhões de pessoas.
A taxa de desemprego alcançou 13,7%, também recorde da série histórica do IBGE, que começou em 2012. O avanço é forte tanto em relação ao primeiro trimestre de 2016 — quando estava 10,9% — e ao quarto trimestre de 2016 — quando chegou a 12%.
Os dados sobre o mercado de trabalho no primeiro trimestre mostraram queda no contingente de trabalhadores na indústria e na construção. Na indústria, a redução foi de 2,9% frente ao primeiro trimestre de 2016 — 342 mil pessoas a menos —, mas em ritmo menor na comparação com o quarto trimestre, de 0,3% ou 32 mil trabalhadores.
O cenário do mercado de trabalho ainda é de piora daqui para a frente, segundo especialistas. Segundo Alberto Ramos, chefe da área de pesquisas econômicas do Goldman Sachs, ainda haverá mais deterioração até que a economia possa mostrar sinais mínimos de crescimento que possa ajudar a absorver novos trabalhadores e, com isso, estabilizar a taxa de desemprego. “Esperamos que o mercado de trabalho se estabilize durante o segundo semestre e comece a se recuperar no fim do ano”, afirmou Ramos em relatório a clientes.

