SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ninguém resiste ao cafezinho brasileiro, seu VR vai mudar e outros destaques do mercado nesta quarta-feira (12).
**SAUDADES DE UM CAFEZINHO**
Ninguém resiste a um cafezinho. Parece que nem mesmo Donald Trump...
O presidente dos EUA afirmou ontem que reduziria algumas das tarifas sobre o café, um dos principais produtos exportados pelo Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao programa The Ingraham Angle, da Fox News. Ou seja, ainda não é oficial.
Tá, e? Só. O presidente não deu detalhes de como seria a abertura, muito menos revelou datas ou citou o Brasil.
E O BRASIL COM ISSO?
O país respondia por um terço dos grãos consumidos pelos EUA, maior consumidor de café do mundo, e é alvo de uma sobretaxa de 50% desde agosto.
A tarifa causou danos ao setor. Importadores estão com cargas paradas, torrefadores pagam taxas para cancelar entregas e os preços subiram cerca de 40% para os consumidores americanos.
Em setembro, o valor do café no varejo dos EUA teve a maior alta anual do século, 3,6% no mês. Em outubro, o encarecimento foi de 19%.
No mês seguinte à implementação do tarifaço, os americanos diminuíram em 52,8% as importações dos cafés do Brasil ante setembro de 2024. Para os produtores de grãos especiais, o estrago foi maior: houve redução de 67% nos embarques.
↳ Os Estados Unidos são responsáveis pela movimentação de cerca de 2 milhões de sacas de cafés finos, das 10 milhões exportadas por produtores brasileiros, segundo a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais).
TRÉGUA?
Mesmo sem as tarifas, o preço da commodity pode ter alta nos próximos anos, com o clima das regiões produtoras afetando a produtividade das safras.
Desde agosto, os preços futuros do arábica variedade de café mais cultivada no Brasil subiram quase 40% e se aproximam de níveis recordes.
Isso significa que você, amante brasileiro de café, também precisa preparar o bolso.
**QUEM MEXEU NO MEU VR?**
Se você encontrar algum dia um trabalhador CLT em seu habitat natural, pergunte a ele qual o seu recurso mais precioso. Grande chance dele responder, com os olhos brilhando, que é o vale-refeição ou VR, para os íntimos.
O governo está mexendo no queridinho de muitos. Vamos entender o que acontecerá com o benefício.
NA PONTA DA CANETA
O presidente Lula assinou ontem o decreto que prevê as novas regras do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). A ideia, segundo o Planalto, é aumentar a concorrência no setor e permitir que os beneficiários tenham mais agência. Aí vão as mudanças:
Limita a 3,6% a taxa cobrada de restaurantes e supermercados por empresas de tíquetes.
Reduz pela metade o prazo para que esses estabelecimentos recebam os pagamentos pelas transações, de 30 dias para 15 dias.
Impõe um prazo de 90 dias para que as bandeiras de VR se adaptem às mudanças.
Obriga qualquer cartão de vale-refeição ou alimentação a funcionar em qualquer maquininha de pagamento.
↳ Dessa forma, os donos de restaurantes, bares e supermercados, que reclamam de taxas abusivas cobradas por companhias de tíquete, têm o ônus para aceitar esses pagamentos limitado e recebem a remuneração mais rápido.
RACHA
Nem todo mundo gostou da ideia. Na verdade, só os supermercados gostaram.
O argumento das bandeiras contra as mudanças é que a limitação das taxas que os estabelecimentos pagam para elas pode inviabilizar as operações. Elas também defendem que a abertura das operações pode abrir caminho para fraudes.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse ver risco de judicialização e ter alertado a AGU (Advocacia-Geral da União).
**FAXINA DE FIM DE ANO**
O fim do ano está chegando e, com ele, a hora de fazer uma faxina: tirar dos armários tudo aquilo que não é mais necessário ou útil. Seguindo a tendência, o SoftBank está fazendo uma limpa no portfólio.
A empresa japonesa anunciou ontem a venda de todas as ações que detinha da Nvidia por US$ 5,8 bilhões (R$ 30,6 bilhões).
QUEM?
O SoftBank é um conglomerado de empresas, entre elas, um fundo de investimento que investe pesado em empresas de tecnologia.
CORTANDO LAÇOS
O grupo começou o movimento de vender ações da Nvidia no mês passado, quando liquidou 32 milhões de papéis da empresa mais valiosa do mundo. Ontem, finalizou o negócio.
As ações da fabricante de chips americana caíram 2,96% no pregão da terça-feira.
MUDANDO A ROTA
Segundo Masayoshi Son, CEO do SoftBank, a companhia está mudando seu foco para o financiamento em inteligência artificial.
Ainda que a Nvidia fabrique chips para IA, essa não é sua única especialidade. O fundo de investimentos quer injetar dinheiro em iniciativas cujo objetivo principal e, muitas vezes, o único é avançar no desenvolvimento dessa tecnologia.
Para isso, vão investir US$ 30 bilhões na OpenAI. Além disso, fizeram aportes na Oracle, que desenvolve softwares em nuvem, e na expansão do projeto Stargate, para construir data centers nos EUA.
BOLHA?
O investimento alto em um setor que está fervendo fez com que o valor do SoftBank aumentasse aos olhos do mercado. Analistas como David Gibson, da MST Financial, alertam para a possibilidade de que a avaliação da instituição esteja superestimada.
A longo prazo, estimo que [o SoftBank] colocou US$ 113 bilhões (R$ 595 bilhões) em investimentos, mas só tem capacidade de financiamento de US$ 58,5 bilhões (R$ 308 bilhões) e, portanto, se comprometeu demais, avalia.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
Porta aberta. Mais dois funcionários foram demitidos pelo Nubank após anúncio do retorno ao presencial. Foi aplicada a justa causa por suspeita de que os colaboradores planejavam um ataque ao sistema interno.
Mais verde? Enquanto a COP30 se desenrola em Belém, um levantamento da Folha aponta que 60% da energia elétrica do mundo vem de combustíveis fósseis.
Segurando a onda. Em meio a processo de recuperação judicial, a Justiça proibiu a gestora de investimentos Opportunity de vender ações da Ambipar.
Sem parar. Uma companhia aérea australiana revelou avião que promete viajar 22 horas sem escalas.

