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Na Paraíba, universidade deve substituir fundação extinta

RIO - Enquanto se discute a extinção de institutos regionais de pesquisa no Rio e no Rio Grande do Sul, na Paraíba esse plano foi concretizado. Em abril, o governo paraibano anunciou o término das atividades do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme). Hoje, pesquisadores já se organizam para criar um novo instituto, este ligado à Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Na avaliação da economista Liédje Siqueira, pesquisadora da UFPB, o Ideme já vinha perdendo relevância nos últimos anos. Para a especialista em economia regional, houve falta de visão dos governos sobre a importância de órgãos regionais de pesquisa. Com o encerramento formal das atividades, ela vê espaço para que um novo órgão, sem ligação ao governo estadual, seja organizado na Paraíba.

— O Ideme estava pouco expressivo e tinha dificuldade de fazer pesquisas locais. Talvez tenha sido falta de visão dos governos sobre a necessidade de ter um órgão de pesquisa que dê subsídio a políticas públicas. Ao longo do tempo, ele foi perdendo espaço. A gente sentia a necessidade de ter um órgão de pesquisa atuante — afirma a pesquisadora.

Ela exemplifica a importância de um instituto regional:

— A pesquisa de campo faz falta. Uma das aplicações é coletar informações para responsder de forma mais rápida. No caso de uma propagação de doença, como o zika vírus, há uma demora para coletar informações. Tempos que esperar o DataSUS, que tem dois anos de defasagem. Em outros indicadores, a gente trabalha hoje com dados de 2015, como no caso da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que não tem cobertura municipal. Hoje, a gente só consegue olhar o passado.

O candidato a sucessor do Ideme é o Instituto de Desenvolvimento da Paraíba (Idep), criado em 2009, mas que estava praticamente paralisado nos últimos anos. Agora, voltou a ser estruturado.

— Estamos agora gerando mais ou menos 170 indicadores, para que a gente possa identificar os problemas do município e do estado da Paraíba. Um dos trabalhos é buscar indicadores antecedentes, com base do IBC-Br (do Banco Central). A ideia é ver como está a economia paraibana no mês atual. Vamos pegar dados como ICMS, emplacamentos no Detran, para passa para a sociedade em que estágio nós estamos — explica o professor Sinézio Maia, também da UFPB, à frente do núcleo de economia do Idep.

Se a falta de investimentos levou à extinção do Ideme, o Espírito Santo é considerado um caso de sucesso. As estatísticas do estado são produzidas pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), que viu seu orçamento saltar de R$ 19 milhões, em 2015, para R$ 26 milhões, em 2017, uma alta de 36%.

O Espírito Santo costuma ser citado como exemplo bem-sucedido de ajuste fiscal, por ter iniciado o processo de cortes de despesas antes dos estados vizinhos. O secretário de Economia e Planejamento do Governo do Espírito Santo, Regis Mattos Teixeira, explica que a decisão foi poupar a área de pesquisa do corte de gastos.

— Nosso esforço fiscal foi muito de reduzir despesas não finalísticas, como passagens, diárias e consumo de energia. Conseguimos uma redução de 20% no custeio — afirma. — Estabelecemos claramente quais eram as nossas prioridades: manutenção dos serviços essenciais, como a necessidade de investir em inovação e infraestrutura para dar mais competitividade para nossa economia.

A estratégia também garantiu a manutenção dos investimentos em pesquisa básica. No início de agosto, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) publicou quatro editais, no total de R$ 7,2 milhões.

— Quando se tem a diminuição da receita e na capacidade de investir, a gente corta tudo que é supérfluo. Dentro da Fapes, vimos o que era importante: garantir o pagamento de bolsas de mestrado e doutorado, continuar pagando todos os projetos e ver o que sobra. E aí, vimos o que podíamos fazer de imprescindível. Não é uma conta fácil de fechar — diz Rodrigo Ribeiro Rodrigues, diretor técnico científico e de inovação da Fapes.

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