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Na Escandinávia, país que adotou quarentena tem previsões econômicas melhores

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Ao menos nas previsões da União Europeia, não ter adotado uma quarentena rigorosa não garante necessariamente melhores perspectivas econômicas. Nas estimativas divulgadas nesta quarta-feira (6), a Dinamarca, onde escolas, empresas e lojas foram fechadas e a circulação foi reduzida, deve ter uma queda do PIB e um aumento do desemprego menores em 2020 que o de países vizinhos que não adotaram medidas drásticas de redução da atividade, como Suécia e Finlândia. O fato de que os três países estão na mesma região e têm características socioeconômicas e culturais semelhantes facilita a comparação. A Noruega, quarto país escandinavo, também adotou quarentena, mas não faz parte da União Europeia e, por isso, não está incluída nas estimativas do bloco. A economia dinamarquesa deve encolher 5,9% em 2020, contra 6,1% da Suécia e 6,3% da Finlândia. A atividade econômica da Dinamarca também deve ter uma recuperação mais vigorosa em 2021, nos cálculos da Comissão Europeia (Poder Executivo da UE): alta de 5,1%, contra 4,3% da sueca e 3,7% da finlandesa. Nos cálculos feitos pelos economistas da UE, tanto a contração do PIB quanto a velocidade de recuperação dependem da gravidade do surto, da amplitude e profundidade das quarentenas e da importância de serviços como o turismo em cada economia. Recursos financeiros e medidas para reduzir os danos durante a quarentena e impulsionar a retomada também provocam desigualdade entre os países. A situação mais favorável para o país escandinavo que adotou quarentena também se repete no índice de desemprego, que deve passar, na Dinamarca, de 5% em 2019 para 6,4% em 2020, recuando para 5,7% em 2021. Na Suécia, a previsão é a de que o desemprego chegue a 9,7% neste ano (era 6,8% em 2019) e recue para 9,3% em 2021. Entre os finlandeses, o desemprego deve passar de 6,7% em 2019 para 8,3% neste ano, descendo para 7,7% em 2021. As políticas do Estado dinamarquês podem explicar a proteção maior da economia do país apesar da adoção da quarentena. Com o maior superavit fiscal entre os três países em 2019 (3,7%, contra 0,5% na Suécia e deficit de 0,1% na Finlândia), a Dinamarca deve terminar 2020 com um déficit de 7,2%, maior que o sueco (5,6%), mas menor que o finlandês (7,4%). Em 2021, os dinamarqueses devem reduzir o rombo nas contas públicas para 2,3% do PIB, proporção semelhante à esperada para a Suécia (2,2%) e menor que os 3,4% de déficit previstos para a Finlândia. Até a manhã desta quarta, a Dinamarca tinha um número de mortos pelo novo coronavírus em relação à população (8,7 mortes por 100 mil habitantes) menor que o da Suécia (29,1/100 mil), mas maior que o da Finlândia (4,5/100 mil). O governo dinamarquês foi também o que mais testes aplicou: 4.673 por 100 mil habitantes. Na Finlândia, foram 1.973/100 mil, e, na Suécia, 1.470/100 mil, até esta quarta. Em toda a União Europeia, a economia deve mergulhar 7,4% neste ano. A recuperação começa no segundo semestre e levará a um crescimento de 6,1% em 2021, ainda insuficiente para compensar a contração de 2020, segundo a Comissão Europeia.

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