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MPF denuncia Joesley e Wesley Batista por manipulação de mercado

SÃO PAULO. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou os irmãos Wesley e Joesley Batista por uso de informação privilegiada (insider trading) e manipulação de mercado. A denúncia foi encaminhada à 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Os controladores do grupo J&F vão responder pelos crimes de uso indevido de informações privilegiadas e manipulação do mercado. A denúncia é resultado de investigações da Operação Tendão de Aquiles.

Os acusados minimizaram prejuízos mediante a compra e a venda de ações e lucraram comprando dólares com base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República.

“Conhecedores profundos do mundo dos negócios, os empresários sabiam que a sua ‘delação-bomba‘, que atingiu o mais alto escalão da política nacional, teria duas consequências: a queda das ações da JBS e a alta do dólar. Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papéis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando-se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, afirma o MPF em comunicado.

Se condenados, os irmãos Batista podem ter de pagar uma multa de quase R$ 1 bilhão, o que equivale a três vezes o valor de lucro com as operações estipulado pela Comissão de Valores Mobiliários (MPF).

— Wesley pode ser condenado a 18 anos de reclusão por ser acusado duplamente por uso de informações privilegiadas nas operações financeiras. Já Joesley pode ser condenado a 13 anos — explicou a procuradora da República, Thaméa Danelon Valiengo.

Segundo ela, não há evidências da autorização de Joesley Batista para a compra de dólares, por isso a pena menor. Para o procurador, Thiago Lacerda Nobre, o que deflagrou a investigação foi justamente a constatação de uma operação atípica da JBS pela CVM.

— O órgão regulador do mercado iniciou as investigações de insider trading. Naquele dia, ocorreu a maior valorização do dólar dos últimos 20 anos. A certeza da impunidade os fez continuar cometendo crimes mesmo depois de assinar o acordo de colaboração premiada. Eles já conhecem a dinâmica do mercado financeiro e sabiam que uma delação como essa poderia impactar o preço do dólar e as ações da JBS — disse Nobre.

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