RIO - O pesquisador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, morreu nesta quarta-feira no Rio de câncer de pulmão. Engenheiro formado pela PUC-Rio e com PhD em Economia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, chegou ao Ibre há quase dez anos, em 2008. Ali foi coordenador geral do Boletim Macro do Ibre, mas ao longo de 50 anos exerceu diferentes atividades acadêmicas, como no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e na PUC-Rio, e ocupou cargos em instituições públicas como o BNDES e o IBGE.
Ele participou do grupo que deu início às atividades do Ipea na década de 1960, com economistas como Albert Fishlow, Edmar Bacha e Marcelo de Paiva Abreu, além de Pedro Malan. Regis Bonelli foi professor por muitos anos na PUC-Rio, onde pesquisou temas como distribuição de renda e a transição econômica do país no início da década de 1990. Na universidade, fez parte do grupo que criou o mestrado de Economia na instituição.
A indústria foi o principal foco de seus estudos ao longo dos anos. Um de seus trabalhos de mais destaque foi o texto “Os limites do possível: notas sobre balanço de pagamentos e indústria nos anos 70”, publicado em 1976 na revista Pesquisa e Planejamento Econômico (Ipea), em coautoria com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, com críticas à estratégia governamental da época, que culminou no endividamento do país e na crise da dívida.
Bonelli foi diretor-geral do IBGE (1985 a 1987) e diretor-executivo do BNDES (1994 a 1995) — nas gestões de Edmar Bacha na presidência —, e diretor de pesquisa do Ipea (1988 a 1990), além de consultor do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets) e da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
— Regis era um economista industrial, desde a tese de doutorado dedicou-se aos estudos da industrialização, suas condicionantes e implicações. Mais recentemente, estudou de forma mais intensa a produtividade da economia — afirmou o economista Edmar Bacha.
Entre os estudos mais recentes estão Anatomia da Produtividade no Brasil (FGV Ibre/Elsevier, coordenação e coautoria, em 2017), A Crise de Crescimento no Brasil (FGV Ibre/Elsevier, coordenação e coautoria, em 2016) e Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil (FGV Ibre/Elsevier, coordenação e coautoria, em 2015), e Ensaios Ibre de Economia Brasileira II (FGV Ibre/Elsevier, coordenação e coautoria, em 2014).
Bacha descreve Bonelli como alguém “com verdadeira obsessão pela precisão numérica”, o “antiachista”:
— O Regis tinha verdadeira obsessão pela precisão numérica das observações, era o antiachismo. Ele dava muita ênfase aos dados, só falava coisas que pudessem ser baseadas em questões numéricas. Conhecia a cozinha dos números. Geralmente, as pessoas não querem saber como são feitas as salsichas e ele sabia — disse Bacha. — Era uma pessoa adorável, um grande amigo.
Um dos frutos do trabalho de Bonelli, apontou o economista, foi a reconstituição das séries de contas nacionais, que permitiu a compatibilização das séries de Produto Interno Bruto (PIB) desde os anos 40.
Bonelli deixa a esposa, a jornalista Cristina Aragão, os filhos João, Rodrigo e Laura, e os netos. O velório será nesta quinta-feira, dia 14, no Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, Capela 7, a partir das 9h.

