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Economia

Morre o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Morreu nesta sexta-feira (5), aos 83 anos, o economista Carlos Lessa, que foi presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e reitor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Lessa estava internado em um hospital na zona sul do Rio com Covid-19. A causa da morte ainda não foi confirmada.

"A tristeza é enorme. Seu último ano de vida foi de muito sofrimento de provação", escreveu em uma rede social seu filho Rodrigo Lessa. "O legado que ele deixou não foi pequeno. Foi um exemplo de amor incondicional pelo Brasil, coerência e honestidade intelectual."

Carioca, Lessa se formou em economia pela antiga Universidade do Brasil, que depois se tornou UFRJ, fez mestrado em Análise Econômica pelo Conselho Nacional de Economia e doutorado em Ciências Humanas pela Unicamp. Foi nomeado reitor da UFRJ em 2002, com apoio de 85% da comunidade universitária.

"O Brasil perde um grande brasileiro, com B maiúsculo", disse em nota a reitoria da universidade, que declarou luto oficial de três dias. "Ainda que tenha ficado no posto por apenas seis meses, deixou uma lembrança cultural incomensurável à Universidade do Brasil", completa o texto. Quando esteve na reitoria, fundou o bloco carnavalesco Minerva Assanhada.

Filiado ao MDB, sigla que viria a se tornar o PMDB, Lessa teve passagens por cargos públicos em diferentes governos e atuou também em campanhas políticas como as do ex-governador do Rio Anthony Garotinho e do hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), quando concorreu à prefeitura do Rio.

Em redes sociais, Freixo disse nesta sexta que Lessa era " um homem de espírito público apaixonado pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil".

Lessa ssumiu o BNDES logo no início do governo Lula, em 2003, sob indicação dos economistas Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares. No governo, era parte da chamada ala "desenvolvimentista" e teve uma série de desentendimentos com ministros da área econômica, como Antônio Palocci (Fazenda) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).

Em sua gestão, o BNDES protagonizou uma disputa bilionária com a gigante americana AES, que era dona da Eletropaulo. Após calote da americana em dívida assumida na privatização da empresa, o banco acabou se tornando sócio da distribuidora.

Lessa foi demitido do do banco estatal de fomento em novembro de 2004, após dizer à Folha que a gestão do então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era um "pesadelo". Na época, os dois divergiam com relação ao valor da extinta TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que indexava os contratos do banco.

"Estou absolutamente convencido de que o presidente do Banco Central faz parte de uma articulação para desmontar o BNDES. Não sei se ele é o financiador da orquestra, mas ele é o regente" , afirmou na entrevista, que foi considerada pelo governo Lula como a gota d'água para sua substituição no comando do banco..

Após sua passagem pelo banco, Lessa decidiu investir na cidade em que nasceu, restaurando casarões antigos para transformá-los em restaurantes ou casa de shows.

Ele deixa mulher e três filhos e a família prepara uma cerimônia virtual para se despedir.




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