Coutinho era criticado por organizações de produtores rurais pela demora em adotar medidas de controle da praga, especialmente a liberação de defensivos de ação efetiva contra a lagarta. Entidades como a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia criticaram a burocracia para o uso de produtos à base de benzoato de emamectina, eficazes contra o inseto, mas sem autorização para utilização regular no País.
Durante os debates do Fórum Soja Brasil, em junho, o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, fez um desabafo na presença de representantes do ministro Antônio Andrade. "Infelizmente, no Brasil, nós temos uma morosidade que é uma coisa absurda. Chega a ser irritante. Chega a ser um desrespeito."
Além da demora na identificação da praga e nas medidas de combate, entidades de produtores reclamaram de ações pouco efetivas previstas na instrução normativa do ministério baixada para o controle da lagarta em áreas sob emergência fitossanitária. Até a tarde desta quinta-feira, o Mapa havia decretado emergência em quatro Estados - Bahia, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais (parcial). O novo diretor assumiu prometendo atualizar a política fitossanitária do Brasil, alvo de críticas nas principais regiões agrícolas.
"Aceito essa missão, confiante numa equipe muito bem preparada na sede e nas superintendências. O Brasil precisa de um novo projeto de fitossanidade, pois a legislação que o ampara é da década de 30", afirmou. Rangel disse que pretende construir uma nova política fitossanitária para o País "com este novo cenário agrícola".
Minas Gerais
O ministro da Agricultura estará nesta sexta-feira, 29, em Uberaba (MG) para apresentar aos produtores e instituições agropecuárias a Portaria 1.166/13, que decretou o estado de emergência fitossanitária para combater a Helicoverpa armigera , também conhecida como praga da lagarta da soja, em 90 cidades mineiras. Ao contrário de outros insetos da mesma família, que são seletivos e, geralmente, incidem num tipo de lavoura, a nova praga ataca não só milho e soja, mas também algodão, milheto, sorgo, feijão e até frutas e legumes. Na última safra, o prejuízo causado pelo inseto nas lavouras brasileiras, especialmente no oeste da Bahia, chegou a R$ 2 bilhões.

