RIO - Após onze trimestres de queda, a economia brasileira vai registrar no primeiro trimestre de 2017 a primeira taxa positiva desde 2014. A expectativa de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na divulgação do IBGE nesta quinta-feira é unânime, mas o que divide o mercado é a intensidade dessa expansão. Na média, espera-se um aumento de 1% , na comparação com o último trimestre de 2016, considerando 25 projeções compiladas pela Bloomberg News. As taxas variam de 0,5% a 1,5%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, a expectativa média é de alta de 0,5%, mas há quem ainda espere recuo. As projeção estão entre queda de 1,8% e alta de 0,4%.
Se as projeções do mercado se confirmarem, será um primeiro movimento positivo no momento em que o Brasil vive a maior recessão de sua História. Em 2016, encolheu 3,6%, após perda de 3,8% em 2015. Segundo IBGE, é a pior recessão desde 1948, quando começa a série histórica do Produto Interno Bruto (PIB). É a primeira vez em quase 70 anos que o PIB tem dois resultados negativos anuais seguidos, com perda acumulada de 7,2%.
O sinal de alívio, no entanto, pode ser momentâneo. A expansão esperada para o primeiro trimestre deve ter forte influência da agropecuária — para a qual se espera um crescimento de dois dígitos. Nem consumo nem investimentos estariam garantidos para os próximos trimestres e há quem espere nova taxa negativa para o segundo trimestre.
— Saímos da recessão severa e fomos para a estagnação — afirma a economista Silvia Matos, responsável pelo Boletim Macro/Ibre.
Se o cenário de recuperação já era nebuloso, a crise política instaurada após coloca ainda mais incerteza no horizonte. Sem enxergar o que vem pela frente, empresários interrompem planos de retomada de investimentos que poderiam estar em curso e as famílias ficam ainda mais cautelosas para investir. Além disso, o embate político coloca em risco as reformas.
— A pergunta que fica é se a incerteza política continuar por muito tempo e se as reformas não saírem. Nesse caso, podemos voltar para números negativos. Estamos aguardando os desdobramentos do cenário político para reavaliar as projeções — acrescenta Silvia Matos.
As projeções para o desempenho do PIB neste primeiro trimestre enfrentarão uma dificuldade ainda maior. Houve uma mudança metodológica que levou a uma revisão intensa dos dados referentes a janeiro nos setores de serviço e comércio divulgados pelo IBGE. O ano de referência das pesquisas mudou: até dezembro de 2016, os dados haviam sido estabelecidos a partir do ano-base 2011, enquanto os números de janeiro deste ano já foram calculados tendo como referência o ano de 2014. Esse ano foi escolhido porque é o que apresenta as mais recentes pesquisas anuais do IBGE para os setores de serviços e comércio. Dessa forma, essas alterações podem dificultar a capacidade de previsão das instituições financeiras e ajudar a explicar a distância entre a menor e a maior projeção.
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