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Meirelles quer fazer sucessor caso seja candidato à presidência

BRASÍLIA — Embora ainda não tenha decidido se vai mesmo entrar na disputa eleitoral, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem sinalizado ao Palácio do Planalto que, caso isso ocorra, seu substituto precisa vir da própria Fazenda. Os principais nomes defendidos por Meirelles são o secretário-executivo da pasta, Eduardo Guardia, e o secretário de Acompanhamento Econômico, Mansueto Almeida.

O argumento de Meirelles — que trabalha para ser o candidato do governo ao Planalto — é que o Ministério da Fazenda precisa continuar blindado de interferências políticas. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tem trabalho em defesa do nome do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, numa eventual saída de Meirelles.

Oliveira é considerado um técnico competente pelo Palácio do Planalto. Foi do Planejamento, por exemplo, que surgiram propostas que ajudaram a turbinar o PIB de 2017: a liberação de recursos das contas do FGTS e do PIS/Pasep para estimular o consumo sem pressionar a inflação. Ele também tem um amplo conhecimento sobre a área fiscal, o que é importante num ano em que o governo terá que resolver problemas como o desenquadramento da regra de ouro no Orçamento de 2019.

No entanto, interlocutores de Meirelles afirmam que Oliveira entraria na Fazenda passando o sinal de que teria “uma dívida” com o PMDB.

— O problema não é o Dyogo. É o padrinho — disse um interlocutor do governo, acrescentando: — Este é um ano eleitoral, instável. É preciso um ministro da Fazenda cujas decisões sejam vistas como técnicas.

A disputa pela Fazenda, no entanto, só será definida se Meirelles conseguir retirar uma série de entraves à sua candidatura à presidência. O primeiro deles é por qual partido ele poderá disputar as eleições. Seu partido, o PSD, tem se aproximado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), deixando o ministro da Fazenda numa situação de insegurança.

Uma alternativa para Meirelles poderia ser se tornar o candidato do PMDB. Ele já se dispôs o ser o nome para defender o legado do governo de Michel Temer. O ministro agrada uma ala do partido, inclusive a ala capitaneada por Jucá. No entanto, há dentro do PMDB quem diga que o resultado das pesquisas de intenção de voto deixam claro que Meirelles não decolou e, por isso, colocá-lo na linha de frente seria um risco excessivo. Ele tem, no melhor cenário, 2% de intenção de votos:

— O PMDB não é para principiantes e Meirelles não tem um desempenho expressivo — afirmou um integrante do partido.

Caso não consiga resolver esse xadrez, o ministro tem dito a aliados que não deixará o governo. Não será candidato e vai ficar no comando da Fazenda até 31 de dezembro.

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