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Meirelles considera ‘normal’ ameaça de rebaixamento da S&P

WASHINGTON - Henrique Meirelles afirmou na tarde desta sexta-feira, em Washington, que considera normal a ameaça da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) de rebaixar a nota do Brasil se o país não aprovar a reforma da previdência. Após participar de um seminário Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em um evento paralelo à reunião anual do FMI - o ministro da Fazenda afirmou que ele sempre informou da importância da aprovação desta reforma.

— Acho uma coisa absolutamente normal (a sinalização da S&P), nós temos dito e várias vezes repetido que a aprovação da Previdência é fundamental para a sustentabilidade a longo prazo das contas públicas no Brasil e que o mais cedo que isso ocorra, melhor. Eu acho que as agências têm dado uma demonstração de confiança muito grande no Brasil, e elas estão cumprindo a sua função, fazendo seus alertas que está em linha com tudo aquilo que temos dito e temos, de fato, mostrado. Agora, evidentemente que cada um trabalha na sua área específica de atuação, no caso das agências elas têm por função dar os e sempre levam em conta a perspectiva futura — disse o ministro.

O ministro voltou a afirmar que a privatização da Eletrobras deve ocorrer em 2018 e disse que espera que a venda da estatal pode ser "tão importante quanto a privatização das telecomunicações". Meirelles ainda informou em sua palestra que o governo está concluindo o projeto de reforma da recuperação judicial no Brasil. A Fazenda havia informado anteriormente que o projeto seguiria ao Congresso antes do fim de setembro. Segundo o ministro, a proposta, que tende a dar mais poder aos credores que aos controladores de empresas em casos de recuperação, está em fase de análise normal na Casa Civil e que será enviado ao parlamento nas próximas semanas, talvez, inclusive, na próxima.

— O projeto está praticamente pronto e é um projeto muito bem fundamentado e estruturado, feito com a participação de um grande número de pessoas de diversos setores. Acredito que é um excelente projeto — disse Meirelles, que afirmou que, do ponto de vista das empresas, esse projeto é “absolutamente fundamental”.

Questionado sobre o tema, Meirelles também minimizou o afastamento de Paulo Nogueira Batista do Novo Banco de Desenvolvimento, mais conhecido como Banco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), onde ocupava o cargo de vice-presidente executivo. O ministro afirmou que em em breve — talvez em duas semanas — o Brasil indique um novo nome para o cargo. Ele não entrou nos detalhes da motivação de seu afastamento:

— O importante é que é uma decisão do banco e as opiniões foram dadas internamente, num processo interno, que não é divulgado, inclusive para proteger o próprio executivo, e o banco teve lá suas razões e tudo bem.

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