SÃO PAULO - O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse nesta terça-feira, durante encontro na Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que a continuação das reformas, em especial a da Previdência, é essencial para o equilíbrio da economia e também para a manutenção dos juros baixos no país nos próximos anos.
— Na última ata do Copom ( Comitê de Política Monetária), já sinalizamos que vemos como adequado uma nova redução moderada da taxa de juros na próxima reunião. Para frente, o comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária. A frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários, pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória de inflação no horizonte relevante para a política monetária — disse.
Segundo Goldfajn, o processo de flexibilização monetária deve continuar, mas dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
— A condução firme da política monetária, aliada à mudança na direção da política econômica de forma geral, foi decisiva para mitigar comportamentos defensivos (comuns em ambiente de inflação elevada) na formação de preços e, portanto, reduzir expectativas de inflação e colocar a inflação em trajetória de queda. A inflação projetada para o próximo ano está sob controle.
O presidente do BC disse, ainda, que o processo de flexibilização monetária tem levado á queda da taxa real de juros no país, atualmente no patamar de 3% ao ano. Mas que essa condição somente será mantida com avanços nos ajustes necessários na economia.
— O processo de reformas e ajuste necessários na economia brasileira contribui para a queda da taxa de juros estrutural. As estimativas dessas taxas serão continuamente reavaliadas pelo Copom.
Outro que fez coro para a aprovação da reforma da Previdência, foi o presidente da Febraban, Murilo Portugal. Segundo ele, a proposta apresentada tem como princípio principal a redução dos privilégios e isso os deputados tem que levar em consideração. Além do risco fiscal que a não aprovação da reforma representa para o país.
— Apelamos para a Câmara para que avalie os objetivos do projeto e apoie o esforço do governo. Colhemos os bons frutos da mudança da política econômica com a volta do crescimento e a queda da inflação. Isso tem que ser considerado — disse Portugal.

