BRASÍLIA — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta quarta-feira que seja retirada a anistia às multas dos caminhoneiros do projeto que regulamenta o transporte de cargas. Segundo ele, não é hora de tratar de temas polêmicos. O projeto deverá ser votado ainda hoje no plenário da Câmara. Maia informou que se reunirá com o relator do projeto, deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), e pedirá para que ele retire do texto a possibilidade de anistiar as multas. O relator já mexeu no texto e tirou a palavra "anistia". Mas mantém em um dos artigos a conversão das multas em uma advertência.
— Vou pedir a ele para retirar isso (anistia das multas). Não vamos para os pontos polêmicos, para os pontos que geram enfraquecimento do Estado brasileiro. Acho que não é a hora de a gente fazer esse tipo de ação. Tratar de anistia é tratar de beneficiar aquele que cometeu algum ato errado, acho que a gente tem que tomar cuidado. Até porque essas ações estão sendo deferidas inclusive pelo Supremo — disse Maia.
O projeto é uma das demandas que os caminhoneiros fizeram ao governo para encerrar a greve iniciada no dia 21 de maio e que gerou uma crise de abastecimento no país. O objetivo do texto é dar maior segurança jurídica aos profissionais. Além da questão das multas, entre outras coisas o projeto cria planos para a renovação da frota de caminhões; estabelece por exemplo que o prazo máximo para carga e descarga de produtos deve ser de cinco horas; que todos os veículos com mais de dez anos têm que passar por uma inspeção anual e algumas normas de duração contratual.
