NOVA YORK - O presidente da Câmara dos Deputados, , disse na tarde desta segunda feira em Nova York, onde foi participar de uma reunião com António Guterres secretário-geral da ONU, que acredita que não será necessário debater o descumprimento da chamada — que impede o governo de aumentar sua dívida para pagar despesas correntes. Ele estima que o país crescerá 3% e, com isso, a arrecadação aumentará. Maia, assim, rebateu o , que afirma, em relatório, que o descumprimento da regra terá um impacto negativo para a perspectiva de nota do Brasil.
— Eu estava fazendo conta, projetando cenários para os anos de 2018 e 2019, e a nossa análise é que, com algum esforço, a gente consegue cumprir a regra de ouro em 2019. Eu acho que as projeções da equipe econômica são muito pessimistas e devem ser, mas eu acho que, com crescimento econômico e de arrecadação, nós teremos um cenário, em 2018 e 2019 de déficit público e no impacto na regra de ouro menor que o projetado — disse.
A estimativa de crescimento de 3% em 2018 é maior que a calculada pelo mercado financeiro. O relatório semanal Focus, feito pelo Banco Central com os mais relevantes economistas do país, , enquanto . O presidente da Câmara ainda estimou o déficit público do governo em 2018 em poderá ser de R$ 110 bilhões, contra teto de R$ 157 bilhões previsto no orçamento aprovado pelos Congresso em dezembro.
Para 2019, Maia estima que o país poderá voltar a crescer 3%, dependendo do presidente eleito, e que a reforma da Previdência, se aprovada, resolverá as contas públicas e evitará o descumprimento da “regra de ouro”.
— Se passar a reforma da Previdência, nós vamos ter um segundo problema, que é a questão da energia. Poderemos crescer mais de 3% e pode ter o problemas consumo de energia. Mas é melhor que o problema anterior — disse ele, afirmando que isso significaria um crescimento maior que o está sendo estimado para o fornecimento de energia.
O parlamentar, contudo, defendeu uma “ampla união nacional” para debater as contas públicas do Brasil, incluindo oposição e governadores, para tratar de despesas obrigatórias.
— Este é um debate que vai ter que entrar na eleição e ter um comprometimento de 91% de despesas obrigatórias. Precisamos ter coragem de enfrentar isso — disse ele.
Assim, ele voltou a defender a necessidade da aprovação da reforma da Previdência, mas disse que esse movimento tem de ser liderado pelo governo, que é preciso recompor a base para se chegar aos 308 votos mínimos na Câmara dos Deputados e que os estados precisam entrar no debate, já que cinco já deixaram de pagar décimo terceiro salário a seus servidores e que essa situação pode piorar.
O presidente da Câmara afirmou ainda que é preciso enfrentar o tema dos benefícios fiscais, que somam R$ 280 bilhões por ano e que muitas vezes isso não gera o resultado necessário em geração de emprego e de riqueza. Ele afirma que isso precisa ser revisto com cuidado, mas que algumas destas medidas podem estar sendo ineficientes. Ele afirmou, contudo, que a Zona Franca de Manaus não entra neste debate, por ser exitosa é importante para a preservação da região.

