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Lula diz que não ligará para negociar com Trump porque americano 'não quer falar'

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira (5) que não pretende ligar para Donald Trump porque "ele não quer falar".

Trump, que aplicou uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, sinalizou na semana passada que poderia conversar com Lula para negociar o tarifaço quando o petista quiser.

"Não vou ligar para o Trump para negociar nada não porque ele não quer falar. Mas pode ficar certo, Marina [Silva, ministra do Meio Ambiente]. Eu vou ligar para o Trump para convidá-lo para vir para COP [reunião global do clima da ONU], que eu quero saber o que é que ele pensa da questão climática. Vou ter a gentileza de ligar", disse Lula, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão.

"Vou ligar para ele, para o Xi Jinping [dirigente da China], para o [Nerandra] Modi [premiê da Índia]. Só não vou ligar para o [presidente da Rússia, Vladimir] Putin porque ele não tá podendo viajar. Se [Trump] não vier, é porque não quer. Mas não será por falta de delicadeza, charme e democracia", disse Lula.

Na sexta (1), Trump disse que Lula poderia falar com ele para discutir as tarifas. "Ele pode falar comigo quando ele quiser". No mesmo dia, o presidente brasileiro afirmou que o governo trabalha pela proteção da economia brasileira.

"Sempre estivemos abertos ao diálogo. Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano", declarou nas redes sociais.

Além da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o governo Trump aplicou sanções financeiras contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Como condição para negociar as sanções, a Casa Branca tem pressionado por uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Trump.

A retaliação de Trump ao Brasil foi anunciada por meio de carta em uma rede social, na qual o americano também criticou a justiça brasileira pelo tratamento dado a Jair Bolsonaro, acusando o judiciário brasileiro de perseguir o ex-presidente.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo admitiram, sob reservas, a possibilidade de o decreto da prisão domiciliar de Bolsonaro, feito nesta segunda (4) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, exasperar o presidente americano a dois dias da adoção das sanções econômicas anunciadas por ele contra o Brasil.

Após o anúncio inicial e no decorrer das negociações, na última quarta-feira (30), Trump assinou a ordem executiva confirmando a taxação aos produtos, excluindo quase 700 itens, como derivados de petróleo, componentes de aviação civil e suco de laranja.

O governo e o STF consideram essa pressão política uma interferência indevida dos EUA em assuntos internos do país.

As declarações foram dadas durante a 5ª reunião do Conselhão, órgão responsável por assessorar a presidência da República em decisões do Executivo, em meio a tensões no mercado internacional com os EUA. O colegiado é formado por representantes da sociedade civil e do empresariado.

A abertura contou com discursos de empresários e dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), com críticas à retaliação comercial dos EUA.

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