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Lucro do BB cai, mas vem maior do que o esperado, Capitólio encerra paralisação e outros destaques do mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A safra do Banco do Brasil foi ruim no último trimestre, mas não tão ruim quanto poderia ser. O agronegócio continua dando trabalho para o banco estatal.

Também aqui: acenderam as luzes no Capitólio e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (13).

**SAFRA RUIM**

Se algo não sai do jeito que você esperava, às vezes é melhor agradecer o fato de não ter saído pior do que a encomenda. É mais ou menos esse o caso do Banco do Brasil.

O banco estatal reportou nesta quarta-feira (12) um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, 60,2% menor do que há 12 meses. Pelo menos, o número veio um pouco acima das expectativas. Ufa?

O QUE ROLOU?

O pessoal do agro não está com as contas em dia. O BB passa por um momento de forte inadimplência dos clientes do campo, que compõem uma parte importante da clientela.

"Destaca-se que, além do aumento da inadimplência, em especial na carteira agro, houve agravamentos em casos específicos em Grandes Empresas", diz o balanço do BB.

Entre os motivos para o acúmulo das dívidas estão o aumento dos custos da produção —gastos com fertilizantes, maquinário, mão de obra, entre outros—, eventos climáticos que prejudicam a safra e falta de experiência com gestão financeira, no caso de pequenos produtores.

NÃO É EXCLUSIVO

Outros grandes bancos que atuam no Brasil também se preocupam com o patamar de endividamento no país —mas não contam tanto com o agronegócio para fazer as contas fecharem.

As instituições sinalizaram que estão tomando mais cuidado na hora de conceder crédito, com medo do crescimento da inadimplência. Não se esqueça de que a taxa Selic está em 15% ao ano, maior nível registrado em quase 20 anos, fator que encarece os empréstimos.

O surgimento de novas recuperações judiciais de empresas também está no radar dos executivos.

MAIS PROBLEMAS

Mesmo com os juros em território restritivo, as carteiras de crédito continuam crescendo —inclusive a do BB.

Preocupa os bancos as taxas de crescimento serem maiores nas modalidades de crédito de maior risco, como o rotativo e o crédito pessoal consignado, no caso de pessoas físicas.

**A LUZ VOLTOU**

Acabou…? Nesta quarta-feira à noite, o Congresso dos EUA chegou a um acordo para terminar a mais longa paralisação do setor público da história americana.

O acordo foi concluído no fim de semana em negociações a portas fechadas entre senadores democratas e republicanos. O texto reverte as demissões de servidores federais iniciadas pela Casa Branca e garante o pagamento retroativo aos funcionários afastados.

↳ A medida estende o financiamento do governo até 30 de janeiro, mantendo o ritmo de expansão da dívida pública, que soma US$ 38 trilhões e cresce cerca de US$ 1,8 trilhão por ano.

O entendimento dividiu os democratas, muitos dos quais acusam os senadores do partido de cederem a Trump e aos republicanos.

…OU NÃO?

O “shutdown” prejudicou o funcionamento de programas de assistência alimentar, o pagamento a centenas de milhares de servidores e o sistema de controle de tráfego aéreo do país.

A queda acentuada e prolongada nos gastos federais tende a ter um efeito cascata, eventualmente reduzindo gastos do consumidor. As empresas podem ter acesso dificultado a empréstimos federais, fonte importante de financiamento.

Isto é, tudo isso pode impactar o PIB (Produto Interno Bruto) americano em um ano em que sobram desafios para a economia do país.

**XEPA?**

Pode ser que as visitas ao mercado estejam pesando menos no seu bolso. Você percebeu? A sensação de alívio entre os brasileiros não é total, mas existe.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,09% em outubro, segundo dados divulgados no início da semana.

A taxa é a menor para meses de outubro em 27 anos, desde 1998 (0,02%) —resultado abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,15%.

O índice acumulado de 12 meses também recuou: passou a 4,86% até outubro, depois de marcar 5,17% até setembro.

A proporção de brasileiros que acredita que os preços dos alimentos nos mercados subiram no último mês foi de 58%, queda de cinco pontos percentuais na base mensal, segundo pesquisa Genial/Quaest.

SUAVE NA NAVE?

Falando assim, até parece que nada vai mal. Vamos com calma.

Na visão de analistas, o bom desempenho da inflação se deve a uma combinação de sorte no clima (o suficiente para não atrapalhar muito a safra no campo), fatores externos, como a queda de juros nos Estados Unidos, e a política monetária de juros em patamares restritivos.

Há quem pense que uma taxa de desemprego muito baixa, cenário que vivemos no Brasil hoje, pode contribuir com a aceleração da inflação. Mas, ainda que a maioria da população esteja ganhando um salário, a capacidade de consumo está limitada pelo endividamento.

Dívida limita a demanda, e a inadimplência é um sinal de que o endividado não tem mais capacidade de consumir —o que seguraria o avanço da inflação.

Isso significa que, ainda que a inflação não esteja pressionando tanto o bolso dos brasileiros, a vida financeira da população continua difícil.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Desagradou? Ações do SoftBank caem 3,5% depois da instituição vender toda sua participação na Nvidia.

Corre atrás. O Goldman Sachs prevê que as ações de empresas americanas terão desempenho inferior às de outros países, como emergentes, China e Índia.

R.I.P. A “penny”, moeda de 1 americana de 1 centavo, morreu aos 232 anos.

Faca afiada. Os Correios fatiarão o empréstimo de R$ 20 bilhões que precisam para salvar as finanças. É uma tentativa de atrair mais credores e conseguir financiamentos melhores.

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