Sororidade, preparo e coragem para se posicionar. O painel Do Discurso ao Topo: Como Ampliar a Liderança Feminina nos Altos Cargos, realizado nesta sexta-feira, 15, no SPIW Talks, deixou recados claros para que mulheres possam alcançar os cargos mais altos nas organizações. Em meio a histórias de superação, renúncias e conquistas, as quatro convidadas que ocuparam o palco, sob a mediação de Luciana Garbin, editora-executiva e colunista do Estadão .
O painel discorreu sobre como atitudes das organizações e das próprias mulheres podem contribuir para quebrar a estrutura que impõe uma espécie de teto de vidro, que barra o desenvolvimento das carreiras de mulheres em todo o País.
A presidente da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês, Denise Jafet, citou, como exemplo, a diferença entre as licenças maternidade e paternidade, que acabam por favorecer a contratação e promoção de homens dentro das empresas. Isso, disse, reflete diretamente em uma injustiça na remuneração. "Precisamos de transparência. Nos países nórdicos, o Estado fiscaliza essa equidade. Precisamos de uma combinação do privado e do Estado."
Já a diretora-executiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Helena Tenório, afirmou que o "teto de vidro" tem consequências diretas sobre a saúde emocional das mulheres. "A mulher se cobra muito, para cumprir demandas no trabalho, em casa, com filhos, e ainda é cobrada para ser bonita. Isso tem muito a ver com criar círculos de apoio para mulheres", afirma.
Nesse contexto, o tema "sororidade" apareceu na conversa, puxado, principalmente, pela presidente do Instituto Vasselo Goldoni (IVG), Edna Vasselo, cujo trabalho de mentoria busca ajudar mulheres a chegar no topo das organizações. Um dos grandes problemas atendidos, segundo ela, vem do chamado "síndrome de impostora", que remete à crença limitante de despreparo para a candidatura a um cargo. "Tenho trabalhado com as mulheres para que elas aprendam a conviver com as vulnerabilidades e a se preparar para as oportunidades, porque as mulheres minimizam muito suas conquistas. Precisamos estar alinhadas aos nossos propósitos. Quantas vezes perguntamos: 'Essa vaga é minha e eu a quero'."
Todas contaram experiências de tratamento diferenciado - e negativo - vindo de colegas homens e destacaram a necessidade de coragem para enfrentar tais situações. No entanto, afirmaram que enxergam mudanças e maior busca de protagonismo feminino e que a conquista de cada uma fortalece a trajetória da outra. "Creio que o mundo melhor será feito de homens e mulheres, que ao invés de construir muros teremos pontes. Quanto mais mulheres na liderança, mais outras mulheres terão acesso a oportunidades. Mensagem aos homens: acredite na nossa capacidade de realização", resume Edna Vasselo.
Sobre o SPIW
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, e termina nesta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.




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