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Economia

Liberação de FGTS pode ter impacto na economia maior do que em 2017

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A liberação de parte do saldo do FGTS pode ter um efeito mais forte sobre a economia em 2019 do que o verificado em 2017. A avaliação é do ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento Marcos Ferrari, um dos responsáveis pelo plano de pagamento desses recursos elaborado na gestão Michel Temer.

Em 2017, foi feita a liberação de R$ 44 bilhões somente de contas inativas do FGTS. Desta vez, o montante é calculado em R$ 42 bilhões, segundo o Ministério da Economia.

Para Ferrari, embora a medida tenha impacto imediato, mas de curto prazo, ela é importante e vai se somar a outras iniciativas, como cortes de juros e estímulos a investimentos em inovação e infraestrutura, para que o país volte a crescer de forma sustentável.



PERGUNTA - Qual o impacto dessa nova liberação de recursos do FGTS para estimular a economia?

MARCOS FERRARI: Em 2017, a economia cresceu 1,1%. O FGTS foi responsável por 0,61 [ponto percentual]. Naquela época, as condições eram diferentes, as famílias estavam muito endividadas. Agora, pode ser que o efeito seja maior. Talvez o canal para o consumo esteja mais aberto. No mínimo, pode se esperar um impacto como em 2017.



PERGUNTA - Essa medida é suficiente para que o país volte a crescer ou terá novamente um efeito temporário sobre o consumo?

MF - É uma receita de curto prazo, que não pode vir sozinha. É preciso outras medidas. Ela tem impacto imediato, mas é absorvida muito rápido. É preciso estimular outros canais, tanto de demanda como de oferta. Pelo lado da demanda, liberar esses recursos, reduzir a taxa Selic, o compulsório pode ajudar um pouco. Pela oferta, é preciso outro tipo de estímulo, principalmente em relação a inovação e infraestrutura. O FGTS sozinho não garante crescimento sustentável no longo prazo. Tem de ter outras forças, mas ele é importante, é um dos fatores que vão convergir com outras medidas para gerar crescimento.



P. - Ainda há tempo para que esses efeitos sejam sentidos em 2019?

MF - O impacto da liberação é imediato, vai direto para o consumo, principalmente para o comércio e os serviços. Em 2017, a liberação do FGTS foi uma passagem para a tramitação da reforma da Previdência. A gente mandou a reforma em dezembro de 2016. As contas começaram a ser pagas em março, até julho de 2017. Esse era o prazo que estimávamos para que reforma tramitasse no Congresso. Quando viesse a reforma, a economia já teria começado a crescer.

Desta vez, a medida vem após a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara.

O ministro Paulo Guedes está certo de só liberar o dinheiro depois da reforma, pois o problema é de confiança. Com a reforma da previdência, o canal da expectativa estará mais positivo.



P. - Essa medida pode prejudicar o setor imobiliário ou acabar com essa poupança forçada do trabalhador?

MF - Liberar o FGTS não é tão simples. A equipe econômica [atual] também deve liberar um valor que não comprometa a questão da poupança do fundo e o setor da construção.



P. - Esse tipo de estímulo pode ser comparado com as políticas adotadas no governo Dilma Roussef?

MF - A principal diferença é que são medidas de estímulo para-fiscais, não consomem recurso fiscal, diferentemente do PSI [Programa de Sustentação do Investimento do BNDES], Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor, que consumiram recursos públicos e geraram a crise que estamos vivendo hoje.

 

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