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Liberação de área protegida na Amazônia é um movimento muito perigoso

RIO - Coordenador de políticas públicas do WWF Brasil, Michel de Souza diz que a extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) coloca em risco as nove áreas protegidas que estão dentro dos limites da reserva.

Fazer esse tipo de movimento, de forma açodada, sem discussão, é muito perigoso. A área da reserva reúne nove áreas protegidas, incluindo unidades de conservação e terras indígenas. É um risco enorme para essas áreas. A Floresta Amazônica é nosso maior ativo. Neste momento de desespero e de crise, estão colocando em risco as áreas protegidas que se encontram dentro da reserva.

É um risco tremendo dar esse tipo de sinalização por decreto, sem discutir com a sociedade. Abrir a reserva sem transparência nos preocupa muito. Por que um decreto? Por que isso não foi feito via projeto de lei, que exige audiência pública? A gente sabe a importância da mineração para a economia brasileira, mas é preciso saber o risco envolvido. Especialmente no momento em que se tenta também enfraquecer as regras de licenciamento ambiental.

A corrida pela exploração pode gerar conflitos na região. Imagina um cenário de corrida ao ouro, qual pode ser o impacto? Pode haver uma corrida para a região. Como garantir que mesmo a exploração fora das áreas protegidas não traga consequências para o ambiente e para os povos da floresta? A decisão é uma catástrofe anunciada. Temos vários exemplos de contaminação mineral. Um rio contaminado coloca em risco os povos da floresta que vivem do consumo de peixe.

É possível ter tanto a mineração em pequena escala, em garimpos, como grandes grupos internacionais. Mas como garantir que as grandes empresas de mineração sigam acordos de cooperação dos quais o Brasil não é signatário? Esses acordos preveem regras mais modernas de exploração, a gente sabe do altíssimo impacto da mineração. Mas como saber se as empresas vão cumprir no Brasil regras que seguem em seus países de origem? Há sempre o risco de tragédias como a de Mariana.

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