BRASÍLIA - O ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que provocou a Operação Zelotes foi o primeiro a fechar uma delação premiada. Paulo Roberto Cortez - a pessoa que mandou um envelope pardo com um dossiê para a Polícia Federal contando o esquema - deve revelar informações sobre os julgamentos, que favoreceram grandes bancos. A Justiça homologou acordo com o Ministério Público Federal.
Denunciado por corrupção e tráfico de influência, ele assumiu o compromisso de fornecer informações e documentos referentes a seis casos investigados. Além de fornecer informações sobre os três processos aos quais ele responde na esfera judicial, entre eles, o que investiga o favorecimento ao Bank Boston, Cortez será colaborador em outros três casos.
Em contrapartida, terá a pena limitada à prestação de serviços à comunidade durante um ano, em caso de condenação nos processos referentes aos anexos que compõem o acordo.
Nesse acordo, ficou estabelecido que não haverá punição de crimes contra o sistema financeiro nacional, contra a Administração, lavagem de dinheiro, de organização criminosa e outros.
“O teor das informações fornecidas pelo colaborador permanece em sigilo, até que sejam incluídos em ações penais que sejam recebidas pela Justiça”, disse o MPF em nota divulgada nesta sexta-feira.
Cortez é auditor aposentado da Receita Federal. Foi conselheiro do Carf entre 1992 e 2009, por indicação do Ministério da Fazenda.

