Juros e commodities devem contribuir menos para segurar o dólar em 2022, diz Itaú

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

12/05/2021 17h05 — em Economia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois fatores que têm contribuído para a valorização do real nas últimas semanas não vão ajudar tanto a moeda em 2022: o ritmo de alta das commodities e a alta dos juros no Brasil.

A avaliação é do Itaú Unibanco, que projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,30 no final deste ano e de R$ 5,50 em dezembro de 2022.

"A gente até pode ver o real se fortalecendo mais intensamente no curto prazo, passado esse susto com o índice de preços ao consumidor americano, mas as incertezas fiscais brasileiras e a tendência de início da remoção de estímulos nos EUA trazem o dólar de voltar para R$ 5,30 no final do ano", afirma o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita.

"[Em 2022] commodities ajudam, mas não tanto. Política monetária ajuda, mas não tanto, e o risco fiscal segue elevado", diz o economista sobre a desvalorização esperada para a moeda brasileira no próximo ano.

Para 2022, a expectativa da instituição é que o Banco Central não mexa na taxa básica de juros, que neste ano deve passar ainda dos atuais 3,5% para 5,5% ao ano. A alta dos juros é citada pelo Itaú como um dos fatores que estão ajudando a valorizar o real.

Ao mesmo tempo, o Federal Reserve (banco central dos EUA) deve promover a retirada de estímulos à economia, com a redução do programa de compra de ativos.

"Este é um ano em que a postura relativa da política monetária favorece o real. Não vai ser tanto no ano que vem", afirma Mesquita.

Ele avalia que os preços de commodities podem se sustentar em níveis elevados por mais alguns trimestres, mas não vê um novo "super ciclo" de alta, como na primeira década do século. Segundo Mesquita, o ciclo anterior tinha muito a ver com o estágio de desenvolvimento da economia chinesa na época.

Os dados apresentados pelo banco durante um evento online sobre macroeconomia mostram que o preço das commodities não está se refletindo em valorização das moedas dos países exportadores, principalmente entre os países emergentes, embora esse deslocamento também seja visto em relação a economias desenvolvidas.

Entre os países em desenvolvimento, os números mostram que o deslocamento é maior nas economias com risco-país mais elevado, como o Brasil.

A instituição também calculou qual o impacto da alta do câmbio e dos preços de commodities sobre a inflação brasileira. Em 2020, o câmbio foi responsável por um desvio de 2,5 pontos percentuais na inflação em relação à meta e a alta dos produtos básicos teve um impacto de 0,6 ponto. Em 2021, os números já mostram impacto de 0,8 ponto do câmbio e 1,9 ponto de commodities.

"Os principais vilões para esse ano e o ano passado têm características em comum. O grande vilão no ano passado foi o câmbio. Para este ano, são as commodities, principalmente petróleo e agrícolas", afirma a economista do Itaú Julia Passabom. O banco projeta uma inflação medida pelo IPCA de 5,3% neste ano e de 3,6% no próximo.

Passabom firma que outro fator que influencia os preços de commodities são as incertezas climáticas no Brasil e nos EUA, que podem afetar algumas culturas em um momento em que os estoques no mundo estão baixos. No caso brasileiro, a pior seca da história encarecerá conta de luz, devido ao acionamento de mais termelétricas.


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