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Juros compatíveis com investimentos do setor produtivo têm sido raros, diz presidente da Fiesp

O presidente Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, disse nesta quinta-feira, 27, que taxas de juros compatíveis com os investimentos do setor produtivo têm sido "raras", aparecendo apenas por tempo reduzido no Brasil. Ele destacou que nenhuma economia que adota o regime de inflação tem juros tão altos como o Brasil por tanto tempo.

"Sinto dizer que não há negócio capaz de fazer frente a tamanho custo de capital", afirmou Gomes da Silva, em sessão temática no plenário do Senado sobre "juros, inflação e crescimento". "O impacto na indústria tem sido devastador. O estoque de capital da indústria já foi superior a 20% nos anos 80 e hoje está em 11%. Os investimentos não cobrem nem a deterioração do maquinário na última década", completou.

Para o presidente da Fiesp, não é o caso de se tolerar mais inflação em troca de crescimento, mas de cuidar também do endividamento em proporção do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele lembrou que o Brasil gastou o equivalente a 5% do PIB em 2022 apenas para arcar com os juros da dívida pública. "Estamos por tempo demais com o crescimento estagnado. Ao crescermos pouco, com taxas de juros nominais muito acima da taxa de crescimento da economia, precisamos de superávits maiores para reduzir o endividamento", acrescentou.

O executivo pediu ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), uma sessão de debate na Casa apenas sobre os problemas da indústria. "Estou seguro de que o Congresso dará prioridade às medidas legislativas que possibilitem o crescimento do Brasil", concluiu.

CNI diz que setor sofre com demanda fraca

Também na mesma sessão no Senado, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, disse que o setor tem sofrido com a demanda fraca, citando especificamente a indústria automotiva. "Estamos produzindo pouco. A capacidade ocupada das fábricas está abaixo de 60%", afirmou.

Na presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Andrade disse que em toda reunião do Copom se prepara para soltar notas reclamando do patamar da Selic, hoje em 13,75% ao ano. "Precisamos dosar os juros, para que ataquem a inflação sem prejudicar o crescimento econômico", completou.

Ele relatou que as empresas do setor estão tomando crédito com juros superiores a 30% ao ano. O executivo reclamou ainda da baixa competição do setor bancário e dos spreads cobrados nas operações.

Ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Andrade elogiou a proposta de novo arcabouço fiscal e os planos cobrança de tributos de empresas que não pagam impostos.

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