Coelho tomou posse no comando da companhia em cerimônia transmitida virtualmente pelo site da Petrobras. Ele estava acompanhado do presidente do conselho de administração da estatal, Marcio Andrade Weber; do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque; e de Rodolfo Saboia, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Em um discurso de 15 minutos, o engenheiro defendeu que a prática de preço de mercado é uma condição necessária para criação de um ambiente de negócios competitivos, atração de investimentos e novos agentes econômicos no setor, além de garantir o abastecimento do mercado interno. Segundo ele, esse cenário permitiria elevar o aumento da concorrência, com benefício ao consumidor brasileiro.
"É importante ressaltar que, embora sejamos autossuficientes e exportadores de petróleo, somos importadores de vários combustíveis, como gás de cozinha, gasolina, diesel e querosene de aviação, o que impõe a agentes de mercado e governo federal grandes desafios para a garantia de abastecimento", disse ele, que defendeu ainda uma melhor comunicação com a população.
"Muitas vezes, não conseguimos ter comunicação que chegue de forma palatável para o povo brasileiro. Maior interação com Congresso Nacional, com Executivo Nacional", disse Coelho, que abriu seu discurso agradecendo a Deus e ao "senhor presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, pela confiança em mim depositada e indicação para ocupar o cargo".
Coelho afirmou que o Brasil seria atualmente o sétimo maior produtor de petróleo do mundo e que a expectativa seria atingir a quinta posição mundial até 2030. Segundo ele, isso não seria possível sem o modelo de gestão que a empresa adotou a partir de 2017, no governo Michel Temer, e continuou a partir de 2019, no governo Bolsonaro. Para ele, isso permitiu "vultosos investimentos", como no pré-sal.
"Em 2014, a dívida bruta da Petrobras era de cerca de US$ 160 bilhões, uma das maiores do mundo corporativo. Hoje, com o novo modelo de gestão da empresa, é inferior a US$ 60 bilhões. É a redução da dívida da Petrobras que abre espaço para fazer maiores investimentos", disse o engenheiro em seu discurso de posse.
Ele sinalizou ao mercado, ainda, a manutenção de uma série de políticas da Petrobras, como desinvestimentos em campos maduros de petróleo, em refinarias de petróleo e no setor de gás natural, como no Gaspetro e no TBG . "Vamos ser aderentes ao plano estratégico 2022-2026, maximizando ativos de águas profundas e ultraprofundas", afirmou Coelho, acrescentando que os investimentos em refino serão focados em locais próximos da produção.
O conselho de administração da Petrobras elegeu Coelho para a presidência da companhia por maioria de votos, segundo fontes. Dois conselheiros votaram contra o nome do engenheiro para o cargo. Um dos votos contrários partiu de Rosangela Buzanelli, representante dos trabalhadores no conselho. Outro voto contrário seria do conselheiro Marcelo Mesquita, representante de minoritários, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

