A JBS inaugura nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis (SC), seu centro de biotecnologia no Brasil e passa a apostar no desenvolvimento de proteínas funcionais, as chamadas "superproteínas", como nova frente de agregação de valor à cadeia de alimentos.
O projeto, batizado de JBS Biotech, recebeu investimento de US$ 37 milhões no País e faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia em biotecnologia, que incluiu a aquisição da Biotech Foods, na Espanha, em 2021.
Instalado no Sapiens Parque, o centro foi estruturado para atuar desde a pesquisa básica até a aplicação industrial, com mais de 20 laboratórios integrados, além de infraestrutura de supercomputação, biobanco e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenho e à produção de proteínas com características específicas.
"Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender a proteína em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais definidas", afirmou a CEO do JBS Biotech, Fernanda Berti, ao Broadcast Agro.
Segundo o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, a iniciativa amplia a capacidade da empresa de desenvolver produtos com maior valor agregado. "Trata-se do desenvolvimento de biotecnologia aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos", disse.
O centro reúne pesquisas em biotecnologia, fisiologia, farmacologia e ciência de dados para desenvolver proteínas com perfis específicos de aminoácidos, digestibilidade e funcionalidade. Entre as aplicações estão alimentos, suplementos e ingredientes com propriedades funcionais, além de soluções voltadas à saúde animal.
A estrutura também foi desenhada para encurtar o tempo entre pesquisa e mercado, permitindo conduzir experimentos laboratoriais e testes em escala produtiva em uma mesma plataforma. Hoje, o ciclo de desenvolvimento de novos produtos pode levar de três a cinco anos, considerando etapas regulatórias.
Outro eixo do projeto é o aproveitamento de coprodutos da cadeia produtiva. A companhia afirma que tecnologias de extração e bioconversão permitem transformar resíduos em ingredientes de maior valor agregado, como colágeno funcional, enzimas e compostos bioativos, ampliando o conceito de economia circular.
A inauguração do centro ocorre em um contexto de aumento da demanda global por proteínas e maior exigência por qualidade nutricional. "Essa iniciativa nasce da nossa convicção de que ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação", afirmou Tomazoni.


