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Itaú prevê multiplicação de crédito de socorro a pessoas e pequenas empresas na pandemia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Itaú espera que o crédito concedido a clientes em dificuldades financeiras durante a pandemia ainda deve se multiplicar ao longo do segundo semestre. A taxa de crescimento esperada, no entanto, não foi informada. Entre abril e maio, foram 2 milhões de contratações de crédito no que o banco chama de Programa Travessia, somando R$ 43 bilhões em alongamentos de prazo e R$ 10 bilhões em créditos novos. "Não temos uma meta para o Programa Travessia até porque há uma questão de dosagem certa. A adesão [ao projeto] tem que ser voluntária mediante a necessidade efetiva dos clientes. Mas a julgar pelo desempenho que tivemos nos dois primeiros meses e pela perspectiva de continuidade do cenário de pandemia, é possível que esse programa se multiplique ao longo do segundo semestre deste ano", afirmou o diretor executivo de varejo do Itaú Unibanco, André Rodrigues. O executivo disse também que apesar de ainda não considerar uma reserva adicional para cobrir possíveis calotes, não descarta reavaliar essa decisão caso seja necessário. No primeiro trimestre o Itaú dobrou suas provisões para devedores duvidosos, para R$ 10,4 bilhões. A alta, que chegou a 147,2% na comparação anual, foi responsável por derrubar em 43,1% o lucro da instituição no período, para R$ 3,9 bilhões. Para Carlos Eduardo Peyser, diretor de franquias e estratégias para pessoas jurídicas do Itaú, a expectativa do banco é que a adesão às linhas reduza o impacto no volume de perdas no futuro. "Se tivermos sucesso na implementação das iniciativas, o nível de perdas do banco tende a ser menor com o programa [travessia] do que sem ele", disse. Os executivos do Itaú também reforçaram a continuidade do banco nas linhas emergenciais criadas pelo governo e afirmaram a participação no Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) -programa que liberou R$ 15,9 bilhões em recursos do Tesouro que serão usados como garantia de empréstimos a micro e pequenas empresas- e nas operações de financiamento passíveis de garantia do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). "Esses programas são fundamentais para ajudar a irrigar a economia e apoiar empresas e pessoas físicas a complementarem as suas necessidades de capital de giro e fluxo de caixa", afirmou Carlos Vanzo, diretor-executivo comercial do Itaú. Ainda segundo Rodrigues, a adesão do banco às novas linhas será "independente da rentabilidade para o banco". "São bons programas e o governo tem se esforçado para trazer boas condições. Temos escutado algumas críticas com relação à rentabilidade do Pronampe, por exemplo, mas para nós a equação é diferente", disse. Segundo os executivos, o banco participou da construção dos dois programas junto ao governo e já se prepara para começar a liberar os recursos do Pronampe na próxima semana. Em relação aos financiamentos com garantia do FGI, a regulamentação ainda não está concluída, mas o banco afirma que vai aderir assim que possível.

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