RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação ao consumidor desacelerou no Brasil em outubro, quando marcou a menor alta para o mês desde 1998, refletindo a queda dos preços de energia elétrica em meio a custos de alimentos e bebidas praticamente estáveis, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,09% em outubro, após alta de 0,48% no mês anterior. No acumulado de 12 meses até outubro, o IPCA teve alta de 4,68% -- ainda acima do intervalo da meta do Banco Central, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Os números vieram abaixo do estimado por analistas em pesquisa da Reuters de alta de 0,16% em outubro e de 4,75% em 12 meses.
Os dados de inflação foram divulgados pouco depois da publicação da ata da última reunião de política monetária do Banco Central, em que a autarquia destacou que a inflação tem indicado uma dinâmica mais benigna do que o esperado e declarou "maior convicção" de que a Selic em 15% por tempo prolongado levará ao cumprimento da meta.
No mês passado, a energia elétrica residencial teve deflação de 2,39% e foi a principal influência negativa para o índice (-0,10 ponto percentual). O movimento se deu com a mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para patamar 1, que impõe um custo menor para os consumidores -- de R$4,46 por 100 Kwh consumidos, ante R$7,87. As bandeiras são acionadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de acordo com as condições de geração energética.
Já os preços de alimentos e bebidas, que têm o maior peso no IPCA, tiveram variação positiva de 0,01%, interrompendo uma sequência de perdas. Foi o menor resultado para outubro desde 2017 (-0,05%).
Três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados vieram com variação negativa: artigos de residência (-0,34%), habitação (-0,30%) e comunicação (-0,16%). No lado das altas, as variações ficaram entre o 0,01% de alimentação e bebidas e o 0,51% de vestuário.
"O IPCA segue confirmando o processo de queda de inflação, mas ainda lenta na parte de serviços", avaliou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. "Acho que o BC corta (a Selic) em janeiro, mas não por causa do IPCA de hoje -- acredito que o cenário continuará evoluindo favoravelmente. Mas março também tem elevada probabilidade."
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Reportagem adicional de Fabrício de Castro, em São Paulo)

