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Investigação vê sinais de tráfico de influência de Palocci no banco

BRASÍLIA - A ação da Polícia Federal sobre possíveis empréstimos fraudulentos do BNDES para a JBS tinha um alvo inicial bem diferente das duas instituições e seus responsáveis. Desde o começo da apuração, a mira dos investigadores da Operação Bullish estava apontada para o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci. O GLOBO teve acesso à investigação do Ministério Público Federal (MPF) que detalhou as suspeitas em relação ao petista, que incluem tráfico de influência. O conteúdo dela foi encaminhado pela Justiça Federal para abastecer outras operações: a Acrônimo e a Zelotes.

Preso pela Operação Lava-Jato desde setembro do ano passado, Palocci negocia delação premiada com o MPF. Segundo fontes a par das investigações, as conversas não se limitam aos crimes apurados pela no âmbito da Lava-Jato, mas devem englobar as demais, em que ele é citado e ainda pode avançar com novas denúncias no setor financeiro.

Especificamente na Operação Bullish, os investigadores apuram o favorecimento de empresas pelo ex-ministro. O MPF seguiu o caminho do dinheiro que entrou na consultoria Projeto, de Antonio Palocci. Há indícios de que serviços declarados não foram prestados.

“Na hipótese dos serviços contratados terem sido efetivamente prestados, poderia se cogitar de tráfico de influência dada a referência a órgãos competentes (supostamente o Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica), contudo, caso não tenha havido a prestação de serviços (...), seria o caso de falsidade ou mesmo de lavagem de dinheiro”, justificou o procurador da República Paulo José Rocha Júnior no pedido de investigação.

A apuração foi focada, principalmente, na relação com a JBS e os empréstimos concedidos para a empresa pelo BNDES. Segundo o MPF, Palocci poderia ter influenciado na entrada do banco de fomento em operações de aquisição de outros frigoríficos.

“A entrada do BNDES no negócio, durante o prazo de vigência do contrato, aponta uma possível influência do representado, ex-ministro da Fazenda e então deputado federal, cuja remuneração estava vinculada ao fechamento da operação. Reitere-se, sem a participação do banco estatal não haveria fechamento do negócio e nem pagamento da maior parte da remuneração ao contratado que, nos termos do acordo, participou da definição da proposta adequada de aquisição, assim como as condições gerais de conclusão do negócio”, afirma a procuradoria em um dos documentos da investigação.

As provas recolhidas na operação Bullish chegaram anteontem à superintendência da Polícia Federal em Brasília. Devem ser analisadas pelos agentes para comprovar se houve corrupção. (Gabriela Valente, Eduardo Bresciani e Manoel Ventura)

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