A expectativa geral das instituições financeiras que participaram da última edição da Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) é de que haverá aumento do risco e da inadimplência no 1º trimestre deste ano, especialmente nos segmentos de crédito voltados às pessoas físicas e ao consumo.
A pesquisa foi publicada pelo Banco Central nesta quinta-feira, 5. Ela traz avaliações dessas instituições sobre as condições do crédito bancário no Sistema Financeiro Nacional (SFN) no 4º trimestre de 2025 e expectativas para o 1º trimestre de 2026.
As empresas ouvidas avaliam que a inadimplência ficou relativamente acima do esperado para o crédito pessoas jurídicas nos últimos três meses do ano passado, e abaixo para pessoas físicas.
Para a demanda, a perspectiva é de fortalecimento nos três primeiros meses de 2026 em todos os segmentos, possivelmente refletindo a expectativa de reduções nas taxas de juros.
Sobre a oferta de crédito, entendem que ela deve ser mais restritiva no início deste ano do que foi no final de 2025, em especial no segmento de grandes empresas.
Apesar disso, a expectativa para o crédito PF habitacional é de maior flexibilidade, provavelmente associada aos efeitos da resolução que estabeleceu um novo teto para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Grandes empresas
Para o segmento, a percepção é de que houve aumento do grau de restrição no 4º trimestre de 2025, em relação ao observado nos três meses imediatamente anteriores. Para o início de 2026, a expectativa é por fatores ainda mais restritivos, sobretudo os associados à inadimplência e ao nível de tolerância ao risco.
MPME
Para micro, pequenas e médias empresas, os fatores relacionados à inadimplência e ao nível de tolerância ao risco tornaram-se ainda mais restritivos no final do ano passado. Para o início deste ano, esses fatores devem seguir restritivos, embora o custo de funding e a necessidade de captação de novos clientes possam atenuar parcialmente o grau de restrição para o segmento.
Consumo das famílias
A PTC indica que houve aumento no grau de restrição com destaque para a piora dos fatores relacionados ao comprometimento de renda e ao nível de inadimplência do mercado. Para o início deste ano, a expectativa é, de modo geral, de condições mais restritivas do que as observadas na reta final de 2025.
Habitação
Nos últimos meses de 2025, as condições ficaram mais flexíveis, com destaque para o nível de tolerância ao risco e a redução das restrições associadas ao custo e à disponibilidade de funding. As expectativas para o início de 2026 são, em geral, de condições ainda mais flexíveis que as já observadas.

