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Inflação na Argentina cai para 4,2%, e projeção indica recuo de 3,5% no PIB de 2024

Por Folha de São Paulo

13/06/2024 16h15 — em
Economia



BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A inflação mensal na Argentina desacelerou pelo quinto mês seguido sob Javier Milei, unindo-se a um momento de vitória legislativa parcial do presidente ultraliberal. No último mês de maio, o índice mensal ficou em 4,2%, ante 8,8% registrados no mês anterior.

Os dados divulgados na tarde desta quinta-feira (13) pelo instituto de estatísticas argentino, o Indec, porém, seguem mostrando uma cifra preocupante da variação inflacionária dos últimos 12 meses: 276,4%. O acumulado desde o início deste ano ficou em 71,9%.

Javier Milei, que está na Europa como convidado para a cúpula do G7, celebrou. Já o havia feito no dia anterior, durante uma conferência em Buenos Aires, dado que todas as consultorias locais previam a nova desaceleração no indicador. "Indiscutivelmente, nosso programa de estabilização está demonstrando sua efetividade."

A despeito de outros indicadores preocupantes no cenário argentino, como a queda do poder de compra, os salários que demoram a ganhar da inflação e projeções de que a pobreza aumentou -percepção viva nas ruas da capital, com cada vez mais pessoas em situação de rua--, esta se configura como mais uma conquista da Casa Rosada.

Sair de um cenário hiperinflacionário era sua promessa número 1. Quando Milei assumiu o cargo, em dezembro passado, a inflação mensal argentina estava acima de 25%. Ainda assim, outras duas bandeiras suas seguem na geladeira.

Primeiro, derrubar o chamado cepo, um emaranhado de controles cambiais vigentes no país. Especialistas dizem que esse é uma espécie de requisito "sine qua non" para revitalizar o investimento estrangeiro e recuperar o acesso aos mercados internacionais de crédito. "Eu me comprometo: vamos abrir definitivamente o cepo", disse Milei

Segundo, dolarizar de fato uma economia doméstica na qual o dólar já é largamente presente e muitas vezes substitui a moeda local, o peso, até mesmo em pequenos comércios.

Ainda nesta semana, o Banco Mundial agravou suas previsões para a economia argentina neste ano, com uma projeção de queda do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 3,5%. Pouco antes, em abril, o organismo financeiro havia projetado queda de 2,3%.

Ainda assim, as projeções anunciadas em Washington preveem uma rápida recuperação já para 2025, quando projeta-se que o PIB argentino cresceria 5%, acima das previsões para Brasil e México, por exemplo, as principais economias latino-americanas.

"As autoridades argentinas procuram enfrentar desafios econômicos significativos do país com uma nova abordagem baseada, em partes, na consolidação fiscal", escreveu o Banco Mundial em relatório.

"Espera-se que a atividade econômica se firme em 2025, à medida que os desequilíbrios macroeconômicos forem resolvidos, que as novas distorções do mercado forem eliminadas e que a inflação enfim fique sob controle."

A quinta queda consecutiva na inflação mensal foi anunciada um dia após Milei obter sua primeira vitória parcial no Congresso argentino, ao ver o Senado aprovar, com modificações, sua Lei de Base, o pacote liberal que vai de privatizações a concentração de poderes nas mãos do presidente, além de seu pacote fiscal.

Juntos, os dois projetos abarcam medidas como incentivos fiscais para investimentos milionários em áreas como energia e mineração, além da legalização de montantes não declarados no exterior, em busca de fazer mais dólares ingressarem no sistema financeiro legal argentino.


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