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Inflação da carne faz IPCA fechar 2019 acima do centro da meta

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Influenciado pela alta no preço da carne, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro foi de 1,15%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (6).

Assim, a inflação fechou o ano de 2019 em 4,31%, acima dos 4,25% fixados como meta pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), mas dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual. Foi a primeira vez desde 2016 que a inflação superou o centro da meta perseguida pelo Banco Central.

Até outubro, porém, a inflação em 12 meses estava abaixo do piso da meta.

O resultado de dezembro ficou acima do valor registrado em novembro. Esse foi o maior resultado para o último mês do ano em 17 anos, quando o IPCA marcou 2,10%, em 2002.

O preço da carne no Brasil, com alta de 18,06%, contribuiu para esse registro e puxou a marca de 3,38% no grupo de alimentação e bebidas, com maior variação mensal para o setor desde dezembro de 2002. As carnes variaram 32,40%, sendo que 27,61% foram no último bimestre.

Outros gêneros alimentícios também tiveram aumento, como o frango (5,08%), pescados (2,37%), feijão-carioca (23,35%) e tomate (21,69%).

Por outro lado, a cebola teve queda de 8,76%, assim como o pão francês, com 0,68%.

O analista Luca Klein, da 4E Consultoria, a dinâmica de alta nos preços das proteínas deve perder a intensidade.

"Se trata de um choque temporário cuja trajetória deve se corrigir no médio prazo à medida que as condições entre oferta e demanda se equilibrem", apontou o analista.

A alimentação fora de domicílio foi impactada em 1,04%, com altas em refeição, de 1,31%, e lanche, de 0,94%.

Outras altas foram observadas no mês, como combustíveis (3,57%) e passagens áreas, que subiram para 15,62%. O reajuste nos preços das apostas, em novembro, fez os jogos de azar também impactarem a inflação de dezembro (12,88%)

No ano, o grupo alimentação e bebidas aumentou 6,37%.

“Pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A alimentação fora do domicílio também influenciou o índice, em função do aumento das carnes”, disse o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE em 2019, somente artigos de residência tiveram deflação, de 0,36%.

Habitação registrou alta de 3,9%, vestuário subiu 0,74%, transportes marcaram 3,57%, saúde e cuidados pessoais cresceram 5,41%, assim como despesas pessoais, com 4,67%, educação, com 4,75%, e comunicação, com 1,07%.

Na análise geográfica, a maior inflação do Brasil em 2019 foi em Belém, com variação de 5,51% influenciada pelo preço da carne. Fortaleza vem logo em seguida, com 5,01%, enquanto Campo Grande teve 4,65%, São Paulo cresceu 4,60% e Goiânia 4,37%.

A queda na energia elétrica fez Vitória ter a menor taxa de inflação, com 3,29%. Recife, com 3,71%, e Brasília, com 3,76%, foram os demais locais com os menores registros de IPCA do ano passado.

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