Indústria inicia 2021 em ritmo mais lento, diz IBGE

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

05/03/2021 13h05 — em Economia

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A indústria brasileira entrou 2021 em ritmo lento, com crescimento menos disseminado e menos acentuado do que no fim de 2020. Em janeiro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial no país cresceu 0,4% em relação a dezembro.

Foi o nono mês consecutivo de alta após o período mais duro da pandemia, disse o instituto. Mas pela primeira vez nessa sequência, a maior parte das atividades pesquisadas registrou queda em relação ao mês anterior.

“Observamos a manutenção do comportamento positivo do setor industrial, mas com desaceleração no seu ritmo no mês de janeiro", disse o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

"Chama atenção neste mês a quantidade de ramos que ficaram no campo negativo, que foram maioria (14 de 26), um comportamento que não foi observado nos meses anteriores dessa sequência de nove meses de crescimento”, completou.

Entre as quatro grandes categorias econômicas pesquisadas pelo IBGE, duas recuaram em janeiro: bens bens intermediários (-1,3%) e de bens de consumo duráveis (-0,7%).

Os bens intermediários são aqueles produtos que abastecem a produção final (como, por exemplo, metalurgia e derivados de petróleo) e tiveram a queda mais acentuada desde abril de 2020, o pior mês da pandemia para a indústria.

Já os bens de consumo duráveis interromperam oito meses de taxas positivas consecutivas, período em que acumulou avanço de 552,2%, informou o IBGE.

Por outro lado, os bens de capital, que são um indicativo de investimento, registraram avanço de 4,5% em janeiro, no nono mês seguido de alta. Nesse período, o setor tem crescimento acumulado de 148,4%

Já entre as atividades que apresentaram recuo na produção, a metalurgia, com queda de 13%, teve o principal impacto negativo em janeiro. Com o desempenho, o setor interrompeu uma sequência de seis meses de crescimento, que acumularam 59% de alta no período.

Houve recuo também em equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), outros equipamentos de transporte (-16,0%), e máquinas e equipamentos (-2,3%), por exemplo.

A influência positiva mais relevante veio da atividade de produtos alimentícios, que avançou 3,1%. O setor foi um dos únicos a não sofrer grandes perdas no início da pandemia e vinha recuando no fim de 2020, com queda acumulada de 11% no último trimestre.

Outras contribuições positivas vieram de indústrias extrativas (1,5%), de produtos diversos (14,9%), de celulose, papel e produtos de papel (4,4%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (1,0%) e de móveis (3,6%).

A perda de ritmo da economia já era percebida no fim de 2020, como resultado da redução do pagamento do auxílio emergencial e com o crescimento das contaminações do novo coronavírus.

Embora o PIB tenha fechado o ano com queda menor do que a esperada (4,1%), as expectativas para 2021 pioraram com o avanço da Covid-19 pelo país e o atraso na campanha de vacinação.

Na comparação com janeiro de 2020, a indústria teve alta de 2%, com influências positivas, principalmente, de máquinas e equipamentos (17,7%), produtos de metal (12,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,8%) e produtos de minerais não-metálicos (11,5%).

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