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Indústria de máquinas agrícolas cresce mesmo sem liberação de financiamentos do governo

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo com a imprevisibilidade sobre a liberação de crédito agrícola pelo governo, a indústria de máquinas agrícolas cresceu 9% no primeiro trimestre deste ano no país, índice que supera a previsão inicial de 5% para 2022, de acordo com dados da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), e o viés é de alta para o desempenho no decorrer deste ano.

Os números foram divulgados pela associação nesta quarta-feira (27) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), durante a 27ª Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação).

"A gente ainda não revisou [a previsão do ano], continuamos com 5%, com viés de alta [...] disse Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq.

O desempenho do setor foi impulsionado pelas vendas históricas registradas em feiras agrícolas já realizadas neste ano, depois de hiatos que chegaram a dois anos devido à pandemia da Covid-19.

Juntas, Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), e Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), movimentaram R$ 18,7 bilhões em intenções de negócio, segundo as organizações --os valores consideram vendas fechadas e negócios encaminhados. A soma dos valores negociados nas três feiras em suas últimas edições presenciais foi de R$ 8,7 bilhões.

O setor pediu na última segunda-feira (25) ao presidente Jair Bolsonaro (PL) a liberação de créditos agrícolas via Moderfrota e Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar) que totalizam R$ 44 bilhões, sendo R$ 32 bilhões para o primeiro programa, e o restante, para o segundo. Não houve sinalização do governo sobre o pedido.

Bolsonaro visitou Ribeirão nesta segunda-feira (25) para participar da cerimônia de abertura da feira. Esteve numa motociata entre o aeroporto Leite Lopes e o local da feira, passeou montado num cavalo e, antes da solenidade, se reuniu com dirigentes das entidades agrícolas que organizam a feira.

Membros de associações participantes da Agrishow relataram frustração com o fato de Bolsonaro não anunciar nenhuma medida envolvendo a liberação de recursos para financiamentos agrícolas. Após a abertura, Bolsonaro deixou a fazenda que abriga o evento na carroceria de uma camionete

O valor pedido supera o total liberado em 2021, que chegou a R$ 11 bilhões para os dois programas. "A gente não sabe exatamente como o governo vai trabalhar com isso, o que a gente sabe é o Plano Safra atual, que lançou lá em julho do ano passado, foi bastante pequeno. Recebemos em torno de R$ 11 bilhões para as duas linhas Moderfrota e Pronaf. Para quem faturou R$ 82 bilhões, isso aí em três quatro meses acabou o recurso. A gente tem conversado com o governo para ver como faz para melhorar esse volume de recursos para o agronegócio", disse Estevão.

A previsão é que o mercado geral de máquinas fature cerca de R$ 100 bilhões em 2022, ante os R$ 82 bilhões registrados no ano passado.

A movimentação nas ruas da área de 520 mil metros quadrados em que a Agrishow é realizada foi intensa nos três primeiros dias do evento, o que fez a organização afirmar nesta quarta que o recorde de público deve ser batido. A feira terminará nesta sexta-feira (29) e a previsão inicial é receber 150 mil visitantes brasileiros e estrangeiros.

O faturamento também deve crescer e até dobrar em relação aos R$ 2,9 bilhões (em valores nominais) negociados em 2019, na última edição presencial da feira. "É possível sim [atingir o dobro das vendas], porque precisamos entender que tem o efeito inflacionário aí também. Entre 2020 e 2021, nós aumentamos 40% o preço das máquinas. Está indo nessa direção, porque tem muito público, tem muitos negócios", afirmou Estevão.

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