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Implicações da guerra no Oriente Médio para economia dos EUA são incertas, diz ata do Fed

Estadão

A ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), divulgada nesta quarta-feira, 8, revelou que os participantes avaliaram que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia são incertas. Mesmo com a incerteza, termo repetido em diversos trechos no documento, a ata ressaltou que o Comitê Geral do Mercado Aberto (FOMC, em inglês) segue atento aos riscos para ambos os lados do mandato do Fed.

O documento descreve os motivos por trás da manutenção da taxa de juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de março de 2026, antes dos recentes desdobramentos que levaram ao anúncio de um cessar-fogo no conflito entre EUA e Israel com o Irã na terça-feira, dia 8 de abril.

Cenário

Os dirigentes do Federal Reserve veem uma economia em expansão, mas com sinais de moderação no mercado de trabalho e com a inflação ainda acima do nível desejado, segundo a ata da última reunião do FOMC.

Segundo o documento, a atividade econômica dos Estados Unidos continuou a se expandir em um "ritmo sólido", apesar de um ambiente de incertezas frente ao conflito no Oriente Médio e "especialmente após considerar os efeitos da paralisação do governo federal no quarto trimestre do ano passado".

Em relação aos preços, a ata ressaltou que a inflação ao consumidor continua alta, em grande parte como desdobramento das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

"Já a inflação de preços de serviços do núcleo do índice recuou em relação a um ano antes, puxada pela desaceleração da inflação de habitação", ponderou o Fed.

No mercado de trabalho, o Fed observou que a taxa de desemprego pouco mudou nos últimos meses, mas que a contratação permaneceu fraca nos EUA, indicando desaceleração na criação de vagas.

"A taxa de desemprego foi de 4,4% em fevereiro, o mesmo nível observado em setembro de 2025. A variação média mensal do emprego total nos dados do payroll foi baixa em janeiro e fevereiro", destacou o Fed no documento.

O comitê também atribuiu parte do desempenho mais fraco do emprego no início do ano a fatores temporários. A ata citou que os efeitos de clima de inverno mais severo e de greves em janeiro e fevereiro pesaram sobre as folhas de pagamento, embora uma reversão desses impactos seja esperada em março. "Os efeitos de uma greve no setor de saúde e de um inverno excepcionalmente rigoroso no Hemisfério Norte pressionaram o payroll em fevereiro", explica.

Política monetária

A ata do último encontro do Federal Reserve revelou que os participantes da reunião previram que, sob uma política monetária adequada, inflação cairia gradualmente em direção à meta de 2% do comitê, após se dissiparem os efeitos do aumento de tarifas e da alta dos preços do petróleo.

"No geral, os participantes esperavam que os efeitos das tarifas sobre os preços de bens básicos (núcleo) diminuíssem neste ano, embora avaliassem que o ritmo e o momento em que esses efeitos se dissipariam se tornaram mais incertos desde a reunião de janeiro", pontua o documento.

Os participantes também esperavam que preços mais altos do petróleo elevassem a inflação no curto prazo e atrasassem a queda prevista da inflação em direção ao objetivo de 2% do comitê.

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